Meus Caminhos a Santiago de Compostela
   
 

Ricardo Röver Machado, Corsan, Rio Grande do Sul, Brasil.

E-mail: ricrover@gmail.com

 

 

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Seja Muito Bem Vindo(a)!

Para mim é realmente um grande prazer receber a tua visita neste Blog que registra momentos importantíssimos da minha Vida.

Este Blog foi inicialmente idealizado para ser o meu diário de peregrinação no Caminho Francês em 2005,para que as pessoas amigas e familiares soubessem como tudo estava transcorrendo, e onde eu pudesse colocar quase em tempo real as minhas impressões compartilhando as maravilhas deste desafio-aventura-busca. Esta idéia evoluiu de maneira totalmente inesperada e temos o Blog como se apresenta hoje, quase uma revista, registrando também o meu Caminho do Norte (da Costa e Primitivo) de 2006, a Vía de La Plata de 2007 e a Via Podiensis, todo na França, em 2008.

Desde a sua primeira publicação este Blog mostrou-se uma ferramenta importantíssima. Nas etapas de Preparação aos Caminhos já feitos, permitiu-me escrever muitas coisas que estudei, publicar lendas, curiosidades, dicas, e transmitir em alguns textos muito do que senti nestes momentos tão importantes.

E enquanto eu percorria o Caminho de Santiago em 2005, 2006, 2007 e 2008, serviu como meio de comunicação direta, e também como forma de ganhar força... Foi um instrumento de interação e interligação on-line que permitiu a todos ficarem sabendo o que vinha acontecendo, o que eu percebia, sentia... uma verdadeira maravilha que me agregou oportunidades e conhecimentos, fazendo-me muito bem.

A vocês que chegam por aqui, convido, de coração, a compartilhar também de tudo isso.

Este Blog foi feito para ser saboreado aos poucos em cada publicação, e também reúne outras "atrações": Aqui vamos encontrar o Mapa do Caminho, Câmeras ao Vivo, Previsão do Tempo em cidades estratégicas, Download de Livros e atalhos para outros sites muito bons mesmo.

Quem já percorreu o Caminho de santiago sempre quer retornar, pois sabe da preciosidade dos seus ensinamentos.

INSTRUÇÕES:

Para melhor aproveitar o Blog é interessante saber:

Na coluna à direita, aqui ao lado, encontramos as informações mais recentes publicadas. As publicações de 2005 são referentes ao Caminho Francês e as de 2006, sobre o Caminho da Costa e Primitivo.As publicações de 2007 referem-se à Vía de La Plata e as de 2008,da Via Podiensis.

Para ler na ordem cronológica, movimente a barra de rolagem e leia o Blog de baixo para cima. Para ler TODAS as informações já publicadas, clique nas datas correspondentes do HISTÓRICO que aparece logo abaixo deste texto.

E mais abaixo, depois de algumas imagens, são encontrados os links de sites relacionados ao Caminho de Santiago e banners que direcionam a Câmeras ao Vivo, Mapa do Caminho, Meteorologia e muito mais.

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Fique totalmente à vontade, aproveite. Convido-te a participar com comentários, deixando as suas impressões e mesmo fazendo perguntas, que com certeza serão muito importantes a todos que chegam por aqui".

Bom Proveito e Volte Sempre!

Ricardo Röver Machado

A seguir,links para as publicações mês a mês.
Ao abri-las, leia sempre de baixo para cima para acompanhar a cronologia:

Histórico
 01/03/2010 a 31/03/2010
 01/08/2008 a 31/08/2008
 01/07/2008 a 31/07/2008
 01/06/2008 a 30/06/2008
 01/04/2008 a 30/04/2008
 01/02/2008 a 29/02/2008
 01/12/2007 a 31/12/2007
 01/10/2007 a 31/10/2007
 01/06/2007 a 30/06/2007
 01/05/2007 a 31/05/2007
 01/04/2007 a 30/04/2007
 01/03/2007 a 31/03/2007
 01/02/2007 a 28/02/2007
 01/10/2006 a 31/10/2006
 01/09/2006 a 30/09/2006
 01/07/2006 a 31/07/2006
 01/06/2006 a 30/06/2006
 01/05/2006 a 31/05/2006
 01/04/2006 a 30/04/2006
 01/03/2006 a 31/03/2006
 01/02/2006 a 28/02/2006
 01/07/2005 a 31/07/2005
 01/06/2005 a 30/06/2005
 01/05/2005 a 31/05/2005
 01/04/2005 a 30/04/2005
 01/03/2005 a 31/03/2005
 01/02/2005 a 28/02/2005
 01/01/2005 a 31/01/2005


Passagem pelos Pirineus


A Subida do Cebreiro


Catedral de Santiago

Outros sites
 O Caminho na Wikipedia
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 Perfis do Terreno
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 Códex Calixtinus
 O Carrinho de Santiago (de Sergin Castanheira)
 Site A Concha e o Cajado
 Santiago no Brasil
 Blog Peregrino On Line
 Livros Gratuitos para Download


Ótimos Portais


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Federação Francesa Randonnée


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Na Espanha:
Em vermelho, o Caminho Francês

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Todos os Caminhos:

Trens na Europa


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Tempo no Caminho


Caminho Francês

St Jean Pied-de-Port:

Pamplona:

Logroño:

Burgos:

León:

Santiago de Compostela:


Caminho da Costa e Primitivo

San Sebastian:
Bilbao:
Santander:
Oviedo:
Lugo:


Vía de La Plata

Sevilla:
Mérida:
Cáceres:
Salamanca:
Zamora:

Europa: Modelo Animado


Espanha: Meteorologia


França: Meteorologia

Paris:
Madrid:


Sites de Meteorologia


Outros Caminhos




Vía de la Plata


Amigos del Camino Vía de la Plata




 

 
 

O Caminho Português 1 (Preparando o Próximo Caminho...)

A peregrinação desde Portugal, ainda que presumivelmente já existisse na época medieval, se intensifica a partir da independência do pais, em meados do século XII. Desde então o culto jacobeu e a peregrinação à Compostela, considerada como um dos sinais de identidade da cultura européia, tiveram em terras lusitanas uma projeção muito importante. Durante séculos o povo português contribuiu para esta experiência coletiva com altos níveis de participação, sempre apoiado pelo exemplo de reis, nobres e o alto clero.

Basta recordar que a maior parte da rede viária de Portugal foi testemunha, desde o século XII até os nossos dias, do caminhar de peregrinos desde os núcleos mais povoados do pais - Lisboa, Santarém, Coimbra, Porto, Braga, Chaves... - até a meta compostelana. As motivações para isto eram religiosas. Mas, graças a este denso e secular fluxo de pessoas que povoaram os caminhos de Santiago estabelecidos entre Portugal e a Galícia, estabeleceram-se também fecundos intercâmbios cultural, econômico e de pensamento.

A configuração do Caminho Português na Galícia contou com uma dinâmica histórica de índoles diversas. Pontes, capelas rurais, santuários, cruzeiros e cidades históricas vão aparecendo ao longo de uma rota que nascia nas imediações do rio Minho, na cidade de Tui, para terminar diante do sepulcro do apóstolo. Ainda que esta peregrinação não tenha significado a formulação e criação de um repertório monumental de uma época determinada - românica ou barroca - em um espaço artístico integrado, o Caminho Português na Galícia constitui uma rota de notáveis evidências, com fortes realidades culturais que vão além do arquitetônico e do museístico, para significar um espaço de privilégio - um dos de maior potencial histórico artístico da Galícia - através do qual a riqueza da História foi deixando o melhor durante o tempo.

O Caminho Português na Galícia, em seu suave discorrer até o norte, faz uso de antigos caminhos que cruzam bosques, terras lavradas, aldeias, vilas e cidades históricas. Caminhos enriquecidos pela presença de capelas, igrejas, conventos e cruzeiros, nos quais não falta a imagem de Santiago Peregrino, acompanham o andarilho animando seu caminhar.

 

A hospitalidade das pessoas é proverbial. A acolhida aos peregrinos é uma das características mais marcantes. Iniciada na Idade Média por monges e clérigos, nos hospitais fundados por reis e nobres, são os hospitaleiros dos albergues de peregrinos e os habitantes de povoados seculares que mantêm esta bela e antiga tradição.

Durante a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, ao longo do século XIV e do primeiro terço do século XV, os britânicos usavam barcos para chegarem em Santiago. Os navios fretados para este fim, com permissão da coroa, partiam de Londres, Bristol, Southampton e Plymouth e regressavam à Inglaterra com mercadorias arrecadadas na Galícia. A presença desses peregrinos em Santiago está comprovada pelas peças de cerâmica e a numismática inglesas, dos séculos XIV e XV, encontradas nas escavações feitas na catedral.

Outros sinais das peregrinações marítimas são as oferendas ao apóstolo. A mais importante é o célebre "retablo" portátil de alabastro sobre a vida de Santiago, doado em 1456 à catedral de Compostela por John Goodyear, reitor da igreja de Chale, na ilha de Wight. A obra conservada no museu catedratício, mostra em cinco cenas a vida do apóstolo: a sua vocação, a sua pregação na Espanha, o seu martírio na Palestina e o seu traslado, de barco, até a Galícia. Outra rica oferenda, ligada à peregrinação desde as Ilhas Britânicas é a Cruz das Pérolas, peça de ouro e prata, esmaltes, pérolas e outras gemas, construída em Paris e doada pelo rei Xacobe IV da Escócia. A ruptura de Henrique VIII com a igreja católica, em razão do seu divórcio de Catarina de Aragão, provocou o final da peregrinação Inglesa.

Príncipes, nobres, religiosos e simples cidadãos, contavam com o refúgio proporcionado pelos hospitais do Caminho Inglês. Tanto a partir de Ferrol como de A Coruña a peregrinação tinha o apoio da Ordem Hospitaleira do Sancti Spiritus. A partir do século XIV a ordem franciscana abriu suas casas em Pontedeume e em Betanzos, sob os auspícios do nobre Fernãn Pérez de Andrade.

 

Fonte: Associação Brasileira dos Amigos do Caminho de Santiago



Escrito por Ricardo às 16h38
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Caminhos...

 

 

 Uma vez conhecido o caminho, só há uma coisa a fazer: seguir em frente.

Se será fácil ou difícil, claro ou escuro, pequena vereda ou larga estrada, isso não importa.

Temos que dar o primeiro passo, que é sempre o mais difícil. E por menor que seja o passo, é sempre uma conquista.

No caminho que cada um escolheu, têm-se uma missão a ser cumprida.

Haverá momentos nos quais as forças diminuirão, a energia faltará e acharemos que é peso demais paro os nossos ombros... Mas suportaremos. Venceremos.

Haverá sempre uma energia guardada que nem nós supúnhamos possuir.

O importante é não desanimar, não parar.

Dar sempre um passo a frente.

Não importa o tempo que se leva... E nem é preciso correr.

O que importa é o esforço feito, o passo que se deu, os amigos que se conquistaram e o quanto se aprendeu.

Colaboração de Marilise Fogaça Pereira,

colega da CORSAN que também gosta muito de viajar.

 

 



Escrito por Ricardo às 15h11
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Via Podiensis, França



Escrito por Ricardo às 22h43
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A Via Podiensis

 

O que é a Via Podiensis?

Em primeiro lugar, a Via Podiense, Podense ou podiensis é uma das quatro vias principais de acesso dos peregrinos medievais a Santiago de Compostela pelos Pirineus. As outras são a Via Tolosana (Arles - Montpellier - Toulouse - Somport - Jaca), a Via Lemovicense (Vezelay - Limoges - Roncesvalles), a Via Turonense (París - Tours - Poitiers - Burdeos - Roncesvalles). Salvo a Lemovicense, todas elas estão adequadamente sinalizadas pelas Associações Francesas de Amigos do Caminho de Santiago e pela FFRP (Federation Française de la Randonnee Pedestre, Federação Francesa de Senderismo). A Via Podiensis forma a chamada GR-65, senda de grande percurso (Grande Randonnee) nº 65. A Via Podiensis, também denominada Ruta de los Borgoñones y de los Teutones, parte da cidade de Le Puy-en-Velay e entra na Espanha por Roncesvalles, depois de haver confluído com as vias Lemovicense y Turonense no país basco-francês (no povoado de Gibraltar, entre St. Palais e Ostabat, demarcado por uma estrela,chamada Estrela de Gibraltar, ali colocada pelos amigos do Caminho de Santiago da França).

Aparte disto, a Via Podiensis foi historicamente a primeira via francesa de peregrinação a Compostela desde que Godesalco, bispo de Le Puy partiu até o túmulo do apóstolo, em 950. 

 



Escrito por Ricardo às 22h43
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Perguntas e Respostas

 

Após a publicação do diário de peregrinação, passo a responder perguntas elaboradas há bastante tempo, as quais já respondi sobre o Caminho Francês (2005) e sobre os Caminhos do Norte e Primitivo (2006), e também quando terminei a Vía de La Plata (2007). Todas estão publicadas neste Blog.

Mantendo a tradição e procurando auxiliar a quem resolver se aventurar caminhando em solo Francês pela Via Podiensis. As perguntas respondidas são relativas aos trechos entre Le Puy-em-Velay e Saint Jean Pied-de-Port.

Caso surjam novas perguntas, podem utilizar o link dos Comentários, abaixo de cada publicação ou encaminhar-me pelo e-mail. Bom Proveito!

 

1. Como é a passagem pela fronteira entre a França e a Espanha? 
R. Na Via Podiensis até SJPP não há fronteiras a passar. A fronteira surgirá após, antes de Rencesvalles.

 

2. Existem albergues (Gîtes d’Etapes) ao final de cada etapa do Caminho?
R. As etapas deverão ser estudadas com muito critério, de acordo com as limitações de lugares para pernoite. Ao final da etapa poderão se encontrados os Gîtes d’Etapes (religiosos, por donativo ou com valores estabelecidos), Chambres d’Hôtes (hotéis/hostais) ou Fermes (tipo um hotel-fazenda). Entendo que comprar um guia atualizado por lá é muito importante (custa em torno de 23 Euros) mas para os estudos prévios podem-se obter informações importantes no site do Godesalco (
http://www.chemins-compostelle.com/sommaire.html) ou pelo Chemins-Compostelle (http://www.chemins-compostelle.com/formulaire.html). É interessante saber que existe a necessidade de reservar albergues com várias etapas de antecedência (5 a 10), principalmente em fins-de-semana e feriados. Para estas reservas utiliza-se normalmente o telefone e, em alguns casos a internet. Então, defender-se no Francês é muito importante, mesmo porque em muitas situações não se encontra quem fale em Inglês nos gîtes ou fermes.

 

3. Como são os banheiros pelo Caminho? Só tem os dos albergues? No mato? Os banheiros dos albergues tem papel higiênico?
R. É muito tranquilo. Os gîtes sempre têm alguém que os mantém limpinhos. O papel higiênico às vezes falta, então cai-se naturalmente na tentação de virar um ladrão internacional de papel higiênico... Mas nunca tive problemas com isso, em nenhum caminho destes que fiz. Às vezes demora, mas sempre aparece um bar para uma paradinha com “café au lait” ou “une canete de cocacolá).

 

4. Como era tomar banho nos albergues? Existiam chuveiros masculinos e femininos? É necessário tomar banho de short?
R. Tranqüilo. Sempre houve privacidade e mesmo com banheiro único esperava-se. É bom lembrar que sempre devemos levar o dinheiro, máquina fotográfica e coisas de valor para o banho, em saquinhos impermeáveis (ziplog). No creemos em brujas, pero...

Outra coisa: Nos hotéis e mesmo em alguns gîtes podemos ver um diferencial interessante que é a separação física do “toilette” e da “salle de bain”. Então vamos tomar banho e não existe o vaso sanitário junto ao chuveiro. Caso ocorram apertos, tem-se que esperar o banho acabar. Desaperta-se na outra sala (toilette) e dá-se conta de que o lavatório fica na salle de bain. Volta-se então para lavar-se as mãos e a sala de banho está ocupada com outro peregrino. Aconteceu exatamente isso comigo em Ostabat.

 

5. Como é que na prática funcionava a lavagem e secagem de roupa?
R. A roupa de baixo é lavada na hora do banho. Depois do banho, já com as roupas de baixo limpas lava-se as outras no tanque ou mesmo na pia. Dependia do tempo disponível e das condições meteorológicas. Às vezes chegava-se tarde e se não havia calefação era melhor não lavar, pois ficariam pesadas para carregar no dia seguinte. Mas foi tudo sempre tranqüilo. Nunca repeti camisetas meias ou cuecas.

 

6. Qual é o horário de funcionamento dos bares, restaurantes e etc para almoço e jantar?
R. Nas cidades maiores, ficam abertos até bem tarde, até mais que meia-noite. Em cidades menores, chegava a não ter nada. O bom é sempre levar uma massa ou sopa desidratada e um rabo-quente na mochila pois algumas vezes era o recurso para não ficar com fome...

 

7. Qual é a média de preço do pernoite?
R. Nos gîtes, em torno de E$ 12-16 o pernoite (nuitée), acrescendo-se E$ 5-7 para o café da manhã (pdj) e E$ 12-18 para a janta (repas). Nas chambres d’hôtes, fermes fica em torno de E$ 30-36 a demi-pension. Tem-se que ficar de olho quando dizem que há coin-cuisine, pois podemos cozinhar e economizar bastante (é o que reduz a média das despesas).

 

8. Os Hostais tem horário de fechamento como os albergues ou funcionam como um hotel normal?
R. Funcionam como um hotel normal. A vantagem com relação aos albergues é que se pode demorar mais para voltar, além do pernoite em quarto privativo (com banheiro privativo na maior parte das vezes).

9. Qual é a regra para se carimbar a credencial? É apenas nos lugares em que se dorme, nos lugares em que se passa ou a nosso critério? Onde é possível carimbar a credencial? 
R. Pode-se selar em lugares que se passa. Às vezes em igrejas pelo Caminho se encontram carimbos para selar a credencial. Normalmente se sela nos locais de pernoite.

 

10. Como se deve proceder ao chegar em um albergue? Deve-se procurar alguém para registro como em um hotel ou pode-se ir entrando?
R. Normalmente o hospitaleiro está por ali e nos recebe. Às vezes temos que esperar a abertura do albergue e, do contrário, se vamos nos atrasar, temos que avisar, principalmente quando reservamos a alimentação. 

 

11. Qual é o dinheiro usado no Caminho?
R. Euros, sempre.

 

12. Podemos deixar a mochila sobre a cama de um albergue e sair para comer?
R. Sim. As coisas de valor, que são a máquina fotográfica, o dinheiro e o passaporte devem ser levados sempre junto, até no banho.

 

 



Escrito por Ricardo às 22h43
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Diário, último dia: A Chegada a St. Jean

 Dia 19/05/2008, Segunda-Feira – Ostabat a Saint Jean Pied-de-Port: 22,5 Km

Última etapa. O Caminho desta vez termina em St. Jean. Na verdade, já terminou, pois agora são 15h40 e estou bem sentado no quarto do albergue, ou, Gîte d’Etape Refuge Municipal, no número 55 da Rue de La Citadelle, bem pertinho da Port de Saint Jacques (Porta de Santiago).

Já conversei bastante com a D. Janine, a mesma senhora que forneceu explicações sobre o caminho a seguir em 2005, explicações não entendidas e que resultaram na perigosa travessia dos Pirineus interditados conforme relatei naquele diário que consta neste mesmo blog...

O Caminho de hoje foi muito tranqüilo, sem grandes elevações. A saída foi com a capa de chuva para uma chuva que ia e vinha, mas ainda assim muito melhor que o calorão que tanto nos castigou.

A chegada à SJPP pelo lado francês foi inesquecível... o aproximar-se da Porta de St. Jacques é uma emoção sempre muito forte e para mim ainda teve o sabor de uma conexão com o maravilhoso Caminho Francês feito há três anos atrás. Foi mesmo uma vitória sobre tudo: o físico e o mental comportaram-se muito bem. O domínio da vontade, da saudade, dos medos e também do orçamento (que ficou na incrível faixa dos 30 euros por dia), também foram exemplares.

Agora há pouco olhei pela janela e vi chegando os peregrinos que saíram juntos de Le Puy e que ainda vão caminhar a Santiago a pé, mais 800 Km. Loucura? Sei que não é não. É sim um atirar-se à uma aventura maravilhosa e individual. É um conhecer de si mesmo e dos próprios limites. É um enfrentar e vencer cada subida, cada descida, cada etapa, cada caminho. Vêm as adversidades geográficas, climáticas, as dores, e o peregrino segue, passo a passo, percorrendo, percebendo, encantando-se, fotografando e convivendo com pessoas de línguas diferentes, culturas diferentes, e fazendo um papel bonito para a imagem do nosso país. Que bom ter tido uma boa educação. Que bom ter recebido uma boa cultura. Que bom falar tantos idiomas. Daqui de tão longe eu digo: muito obrigado aos meus pais, aos meus avós, à minha família, aos meus amigos, ao Ricardo do passado que me trouxe até aqui, ao Ricardo do hoje que sente à flor da pele tudo isso e que torce que o Ricardo do futuro continue com essa inquietação da busca, sempre!

Para quem chegou comigo até aqui, Buen Camino, ou como dizem os franceses, Bonne Route!

Ultreya! Suseya!



Escrito por Ricardo às 10h03
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Dia 18/05/2008, Domingo – Aroue a Ostabat: 24,5 Km

Penúltima etapa, naturalmente difícil, com uma subida fortíssima que matou mesmo. O céu encoberto facilitou mesmo e apenas uma vez o Sol apareceu para dar uma castigada. Apesar disso, amanhã deverá ter chuva pois o tempo está bem fechado.

O albergue é muito bom (GE Maison Ospitalia) mas tem apenas 9 lugares. O pessoal conhecido está todo distribuído entre os três albergues disponíveis nesta cidade que é ponto de convergência para três dos caminhos que cruzam a França: Puy, Vézelay e Tours. O hospitaleiro mostrou postais e fotos de diversos peregrinos, dizendo que havia um casal de Porto Alegre... e eram a Marjorie e o Nilson, amigos da Associação dos Amigos de Santiago de Porto Alegre,a ACASARGS!

A janta foi ótima mesmo. Agora, dormir. Já está chovendo lá fora.

 

 Dia 17/05/2008, Sábado – Sauvelade a Aroue: 30,5 Km

A janta foi muito tranqüila ontem no Gîte Comunal e muito boa. Muitas cantorias junto aos franceses e alemães. Cada um cantou uma música de seu país. Cantei o “Canto Alegretense” ao qual todos deram muita atenção e pediram que eu traduzisse em francês.

O sono foi tranqüilo, o café da manhã do gîte muito bom e depois, às 8h15, pegar a estrada para a jornada de 31 Km. E o trecho foi comprido mesmo, difícil, mas o céu encoberto facilitou. Em Navarrenx, depois de 12 Km (faltavam ainda 19!!!) as sagradas compras para a janta e café da manhã, o que representou muito mais peso a carregar. Tem surgido uma dor abaixo da barriga da perna há dois dias a qual combato com alongamentos mais freqüentes, mas quando chego no albergue, passa. As dificuldades deste dia ficaram por conta do barro, que por aqui é um grude escorregadio.

O Gîte Comunal é bom e preparo-me agora para dormir. São 21h, dia claro. A janta foi sopa, café com leite e pão com geléia. Lavei roupas mas não secou nada (a chegada foi às 17h30). Pendurei no quarto. Até agora não decidi sobre ir ou não a Roncevaux, mas tudo bem. Agora, escovar os dentes e ir dormir.

 

 

Dia 16/05/2008, Sexta-Feira –Pomps a Sauvelade: 28 Km

 

Mesmo dormindo perto da 21h dormi bastante e levantei às 6h20 depois do despertador de pulso tocar. Todas as roupas estão secas (tive que desligar o aquecedor no meio da noite por causa do calorão). O café foi diferente: comi o resto da sopa de ontem como prato principal, junto com café com leite e pão com queijo e geléia. Depois, caminhar, e na chuva... Choveu o dia inteirinho.

Agora são 16h45 e já estou no gîte (Comunal). À minha volta, dois franceses e uma senhora canadense (canadense não, quebecois!). Um chá sendo preparado no fogão, banho tomado, roupas lavadas (apenas camiseta e cueca) e já secando no aquecedor, no andar superior. O dia foi tranqüilo, apesar da chuva. Difícil como toda esta Via Podiensis, penosas as subidas.

A chuva só permitiu uma paradinha no abrigo de uma igreja e o almoço foi um belo sanduíche com Coca Cola caminhando no chuvisco, perto das 15h, há uns 30 minutos daqui. Tudo muito bom neste albergue, ambiente fraterno e cheio de rostos conhecidos. O chá ferveu. Vou lá.

 




Escrito por Ricardo às 10h03
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Diário

Dia 15/05/2008, Quinta-Feira – Arzacq-Arraziguet a Pomps: 21 Km

A saída foi às 7h30 e a chegada, às 15h no gîte de Pomps (GE Comunal). Caminhada absolutamente tranqüila, mangas curtas e um calor forte castigando de vez em quando. O marco do Caminho hoje foi a visão dos Pirineus com seus montes nevados ao longe, como que chamando, trazendo a idéia de ir a Roncevaux novamente(Roncesvalles, em espanhol). Quem sabe. O gîte aqui em Pomps é junto ao ginásio municipal. O quarto é bom e parecem ser confortáveis as camas. Não temos demi-pension, então a saída é cozinhar a sopa trazida de Arzacq. Já comprei pão, ovos, leite e banana. Vai ser tranqüilo. Umas nuvens feias rondam o horizonte. O hospitaleiro já informou que vai chover uns 2 dias...

20h45 – Indo dormir. Barriga cheia, nada a fazer. Depois de bastante conversa com os franceses, todos foram dormir. Vou também. Sol alto no céu, sem cortinas no quarto. Boa noite (?).



Dia 14/05/2008, Quarta-Feira – Aire-sur-Adour a Arzacq-Arraziguet: 33 Km

O dia foi ótimo para o caminhar. Meio chuviscoso, mas nem comparável com o calorão de ontem que desgatou de modo exagerado. Claro que o caminhar em um chuvisco que vem devagar e para de vez em quando exige o tirar e botar da capa para fugir de se molhar ou do suador, mas foi tranquilo mesmo.

A saída foi às 7h30 e a chegada às 18h após pequenas paradas para o chocolate (em um abrigo para peregrinos) e para o almoço (em uma igreja)... e também para os cookies da tarde (no gîte de Pimbo). Poucas paradas, pois como tudo estava molhado em volta, era complicado mesmo.

A trilha de hoje após Montsaq era um verdadeiro sabão e enfrentei o primeiro escorregão com queda: desabei como um saco de batatas, em câmera lenta, tentando me segurar com o cajado mas não deu mesmo. Tudo bem, no final não me machuquei. O barro seca.

A cidadezinha de Arzacq-Arraziguet é pequena... ainda nem conheci a igreja mas já vi que tem um supermercado forte, bom para comprar as frutas, queijo, pão, chocolate e bolachinhas (naturalmente), tudo para amanhã. O gîte é uma beleza (comunal), com banheiro no quarto, quarto individual. A janta deixou a desejar  pela pouca variedade... na entrada, tomates em rodelas e um patê. Depois, um prato de massa branca, sem molho nenhum e duas pernas de pato para cada um, e só!!!! De sobremesa, um iogurte e um bolinho inglês bem pequenininho!!!! Realmente estávamos acostumados a comer melhor nas demi-pensions... mas valeu, pois não fiquei com fome. Na verdade eu me atirei na massa “with nothing”.

Agora é o outro dia e preparo-me para ir ao café. Todas as coisas estão fora da mochila numa bagunça danada (quarto individual permite). Sem grandes expectativas para o café da manhã preparo-me para uma jornada curta, 21 Km. A confraternização com os peregrinos tem sido uma festa mesmo. Formou-se um grupo contínuo e inclusive comentamos ontem à noite de como vamos todos estranhar após o dia 19 (daqui a 4 etapas!!!) quando muitos ficam em St.Jean Pied-de-Port e outros seguem a St-Jacques (Santiago de Compostela, em Francês). Sim. Aproxima-se o dia da chegada, e isso sempre dá um friozinho na barriga ao pensar. Mas vamos lá, um dia de cada vez.

 



Dia 13/05/2008, Terça-Feira – Nogaro a Aire-sur-Adour: 30 Km

Foi um dia bastante caminhado, trecho longo, muito calor, muitas paradas. A saída foi às 7h, a chegada às 15h. Acho que naturalmente estamos caminhando mais rápido. Em uma balança no albergue vi que emagreci mais de 5 Kg, talvez seja isso. Já estou melhor do dedo inflamado. A fraternidade é forte cada vez mais, o que faz com que todos sintamos o faltar de apenas 5 dias a caminhar. Compartilho o quarto com o casal de japoneses, o mesmo que ajudei ontem... não me dei conta que o hospitaleiro marcou no mesmo gîte que havia reservado, e no mesmo quarto!!! Coincidência boa que me permitiu aprender a dizer Bom Dia (Orraiô) er Boa Tarde (conitiuá). Pessoas muito queridas estes japoneses que têm certamente mais de 70 anos (esse Caminho de Santiago sempre empurra para longe o horizonte de velhice...). Realmente os japoneses falam muito mal o inglês e nada de francês. Que aventureiros danados!

Cozinhei de novo hoje e adivinhem o quê... massa com sardinha. Milagre. E estava muito boa. Acho que engordei uns 5 Kg para contrabalançar as dificuldades do caminhar.

O gîte é ótimo (Maison du Pèlerin) e os hospitaleiros se esmeram em nos atender muito bem. Uma peregrina de mais idade pediu-me que tocasse algo na gaita de boca pois ela havia me ouvido tocar enquanto caminhava e ficou me acompanhando de longe. Não gosto de tocar em público mas haviam várias pessoas e não pude me escapar. Toquei um pouco e todos gostaram (ou pelo menos pareceu). Assim que pude me escapei.

Amanhã a jornada também é prolongada, mais de 30 Km. Vou tentar sair cedo para escapar do calorão.

 



Escrito por Ricardo às 10h02
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Descanso...

 



Escrito por Ricardo às 10h02
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Dia 12/05/2008, Segunda-Feira – Escoubet a Nogaro: 22 Km

A comida ontem estava ótima e comi uma barbaridade! Após a janta consegui falar com a minha mãe em um telefone emprestado por um francês... e dizem que são indelicados, vejam só. Falar ao telefone por aqui é um mistério que aos poucos vai-se desvendando. Neste caso utilizei um cartão que havia comprado em uma tabacaria e que tem um certo número de créditos e um código. Ao ligar o código é pedido e ao final da chamada é informado o saldo restante. Muito tranqüilo mesmo pois pode-se ligar de qualquer telefone fixo (público ou não) e de telefones celulares também. Uma beleza.

O dia de hoje amanheceu ótimo e, depois de um bom café (após estourar a infecção de um dedo que me incomodava, decorrente de umas unhas cortadas sem ter lavado as mão antes...), caminhar. A saída foi às 8h15, de mangas curtas. Em Eauze, apesar do feriado de Pentecostes, tudo estava aberto e a carga da mochila aumentou uns 2 Kg para garantir o almoço, janta e café da manhã. Sentindo-me como um burro de carga (âne) o caminhar foi lento mas muito gostoso por ser quase plano e com muitas trilhas em baixo de árvores. Quando saía ao Sol o calor era forte mesmo. Teve também duas zebras: a primeira foi ter que voltar uns 500m para buscar o cajado esquecido... e a outra foi ter que voltar quase 1 Km procurando a máquina fotográfica que perdi por um buraco que apareceu no bolso da bermuda... Ainda assim a chegada foi às 17h e toda a roupa está no varal, secando. Agora são 18h20 e se prepara uma chuvarada. Em seguida telefonarei para o Brasil e depois, fazer comida neste gîte excelente e cheio de pessoas conhecidas (Gîte Comunal). Há pouco vinha passando pela porta do escritório do albergue e vi um casal de japoneses em grande dificuldade. Eles tentavam se comunicar com um francês porém falavam apenas um inglês bem ruinzinho. Não ia dar certo mesmo. Entrei no escritório e me ofereci para traduzir a ambos... o japonês queria que o francês ligasse para o albergue da próxima cidade e reservasse leitos para ele e a sua esposa. Parece simples mas foi uma batalha. No final nos despedimos muito fraternalmente e o casal tinha conseguido acomodações para amanhã. É muito bom mesmo falar outros idiomas por aqui, mas tem gente que vem mesmo sem falar nada, e tenho certeza de que é bom também.

21h15 – Indo dormir. A janta foi boa e chove bastante lá fora indicando muito barro para amanhã, se não tiver chuva também. Parece que existe uma alternativa pela estrada para fugir do pior pedaço... mais ou menos entendi como se vai. Amanhã vamos ver!


 

 

Dia 11/05/2008, Domingo – Condom a Escoubet: 32 Km

19h – Dia de caminhada forte. Dia das mães. Caminhei o dia inteiro e nada de cabines telefônicas. Até agora não consegui telefonar. A minha esperança era ligar do telefone fixo do albergue, mas o escritório já está fechado. Que coisa.

A caminhada prevista de 35 Km foi abreviada ao decidirmos ficar 3 Km antes de Eauze, neste excelente albergue (Lê Domaine du Possible). Melhor assim pois a janta já está garantida já que hoje é domingo e a chegada seria muito tarde. A jornada de amanhã aumenta um pouquinho e passa a ser de 22 Km. Moleza! Amanhã é feriado de Pentecostes por aqui e o almoço não está ainda garantido pois pode estar tudo fechado em Eauze. Vamos ver.

Hoje a caminhada foi tranqüila apesar da distância de 32 Km. Caminho plano, sem chuva, muita sombra em trilhas sob árvores, tranqüilidade total. Vi neste trecho um balão e muitos esquilos, muito legal mesmo. As roupas estão todas lavadas e vão secar. Agora é esperar a janta.


 



Escrito por Ricardo às 10h01
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Cajado, Guia e Mochila...



Escrito por Ricardo às 10h01
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Dia 10/05/2008, Sábado – Lectoure a Condom: 25,9 Km

A saída, após excelente café foi às 7h05 e a chegada, às 15h, depois de mais de 25 Km. Caminhada tranqüila, a não ser num trecho de cerca de 1 Km (interminável) onde fomos todos atacados por milhares de mosquitos!!! Estava calor naquele início de jornada e eu já vinha de bermudas e mangas curtas... terrível! E se foi terrível para mim imaginem para os franceses que não têm nem cabelos nas pernas. Era um tal de correr de mochila para se escapar, um bate-bate de bonés... que coisa braba! Mas, no restante do Caminho foi tudo muito tranqüilo, apesar da mochila pesada fazer-se sentir o tempo todo. Agora são 16h10 e já não sei o que fazer, pois este albergue (Céntre Équestre L’Étrier Condomois) fica 1 Km antes de Condom e não estou nada afim de caminhar mais. As roupas já estão lavadas e estendida e resta-nos esperar o “repas” às 20h. Tudo bem, então. Vou dar uma olhada no guia e ver se são mesmo 35 Km a fazer amanhã. O albergue parece um clube de equitação. Hoje é sábado e têm bastante gente no pátio. Os alojamentos ficam no andar bem de cima de um prédio grande e velho. A primeira impressão foi péssima, mas os quartos são limpos. Vamos ver a janta.

22h10 – Que janta boa! Todas as más impressões foram desfeitas. Salada bem variada (até com fois-gras), um misturadão de batatas cozidas e churrasco (!!!). Muito bom mesmo. Comi adoidado. Muita conversa em francês e ambiente de muita fraternidade. Agora, dormir. Amanhã são mais de 30 Km mesmo.



Escrito por Ricardo às 10h00
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Dia 9/05/2008, Sexta-Feira – Sainte-Antoine a Lectoure: 24,8 Km

21h - Preparando-me para ir dormir. Amanhã a jornada é de 31 Km e queremos sair às 7h assim como hoje, o que permitiu aproveitar muito a cidade. O caminho foi tranquilo hoje, exigindo de vez em quando utilizar a capa, mais por causa do frio que pela chuva. Caminhada fácil, sem ondulações significativas, caminhamos das 7 às 14h, com tranquilidade. Nem almoçamos: o almoço-janta foi por volta das 17h30, uma massa com sardinha que cozinhei no gîte (gîte d'etape = albergue). Comemos bastante e depois fizemos quase toda a volta das muralhas desta velha cidade medieval... belíssimo passeio.

Na chegada ao gîte consegui descarregar a máquina fotográfica para o pen-drive em uma operação de mais de 30 minutos. Parece que vai haver chuva amanhã. Vamos ver... caminhar na chuva é sempre penoso.

O gîte é ótimo (Le Pèlerin d’Occident) e o proprietário, um português, já esteve várias vezes no Brasil. Tem até uma camiseta do Brasil que foi devidamente fotografada. Agora, dormir.

 


Dia 8/05/2008, Quinta-Feira – Malause a Sainte-Antoine: 17,2 Km

Dia 8, feriado por aqui por ser comemorada a rendição da Alemanha. Etapa curtinha, menos de 18 Km (neste ponto paro de escrever para cumprimentar os quatro peregrinos que saíram junto conosco de Le Puy e chegaram por aqui... não nos víamos há vários dias! Sempre são muito festivos os reencontros). A saída do albergue de Malause foi perto da 8h30 e no caminho a visão de uma usina nuclear pareceu meio assustadora.

Chegamos às 14h35. Agora são 15h15, já de banho tomado, todas as roupas lavadas e secando ao Sol. O gîte de Sainte-Antoine com suas muitas camas altas (tipo hospital) é bom, e a epicerie (onde se compram coisas de comer) abre às 17h para as compras da janta, café da manhã e almoço de amanhã.

A jornada foi mesmo tranquila, tempo seco (na verdade chuviscou uma vez mas nos abrigamos em uma parada de ônibus), quase todo trecho pelo asfalto. Tudo tranquilo por aqui, ambiente festivo, vou estudar a próxima etapa.

 

 

Dia 7/05/2008, Quarta-Feira – Durfort-Lacapelette a Malause: 26,4 Km

Saída às 8h30, tranqüilidade total, roupas todas limpas e secas na mochila. A chegada a Moissac foi perto do meio-dia. Agora são 14h20 e escrevo sentado na praça depois de “derrubar” um pote de sorvete e almoçar (nesta ordem). O supermercado reabre às 14h30 e não tem outro jeito senão esperar, pois um dos cajados resolveu ficar por lá. Tudo bem, tudo tranqüilo. Faltam apenas 7,5 Km sem subidas, pois vamos pegar a variante que costeia o canal. Tudo tranquilíssimo, não sinto dores quando estou parado. Elas ainda aparecem na bolha do dedo quando caminho, além de algumas que surgem de uma hora pra outra, itinerando entre o joelho, calcanhar, pé, atrás do joelho, mas elas sempre passam... para outro lugar! Agora, calçar as botas e se preparar para caminhar de novo.

22h45 – Cercado de pessoas gentis que vão falando em Francês sabe-se-lá-o-que enquanto escrevo. Janta ótima feita com coisas do campo (inclusive flores) neste gîte excelente que é uma fazenda familiar (GE Le Granier du Levant). Não tem como não engordar por aqui. Após a parada prolongada em Moissac o Caminho foi tranqüilo e plano ao longo do canal. A chegada foi por volta das 19h e lavei apenas as cuecas. Tudo bem, amanhã são apenas 18 Km. Sem dor alguma, tranqüilo por haver falado por telefone com o Brasil, vou dormir.


 

 



Escrito por Ricardo às 09h59
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Dia 6/05/2008, Terça-Feira – Montcuq a Durfort-Lacapelette: 26,8 Km

Café da manhã ótimo, clima de festa. Saída tranquila, mas "en retard": eram já 8h20 quando pegamos o Caminho. Um chuvisco bem fraquinho fez tomar a decisão certa de ir já de bermuda, mangas curtas, e já sem capa. As roupas lavadas na véspera, todas molhadas, estão em um saco plástico ao lado da mochila. Tudo bem. Mais uma vez enfrentamos um Caminho difícil, com um barro-sabão tornando quase impossível não cair nas lombas fortíssimas. Caí. Mas o meu tombo não foi pelo barro. Em uma pequena perdida, as minhas duas pernas encostaram em uma cerca elétrica e veio uma onda de choque fortíssima... talvez por impulso do reflexo, sei lá, fui lançado para trás! Caí com a mochila para baixo, no barro! Fiquei um pouco no chão me recuperando, depois levantei (ajudado) e segui. A dona da fazenda não deve ter visto nada mas se aproximou para oferecer coisas para vender. Quase a mandei a m... estava ainda me recuperando. Interessante é que alguns quilômetros depois encontrei um outro peregrino e quando comentei do choque ele me disse que também tinha levado, no mesmo lugar, na mesma situação. Coisas do Caminho... O fato é que, com aquele barral, acabamos chegando a Lauzerte tarde, por volta das 13h30 e o supermercado só abria às 15h. Sabíamos que em Durfort-Lacapelette não teria nada aberto, e que amanhã é feriado (Pentecostes), então, esperar. Por sorte havia um bar perto.

Entramos no bar para comprar umas latas de Coca e acabamos fazendo um belo almoço (hoje não há comida no albergue). Depois, caminhar. Escolhemos fazer o trecho pela estrada que é mais rápido e mais seguro, fugindo do barro. Ainda assim, a chegada foi perto das 19h.O gîte é ótimo, numa fazenda, cozinha bem montada.

Depois daquele almoço tarde, a janta foi café, pão e sopa. Muito bom. Amanhã, uma jornada de 26 Km até Malause. As roupas estão secando em frente da estufa. As botas, completamente embarradas, também. Agora vou dar uma estudada no guia e dormir, com o dia ainda claro. Boa Noite!

Dia 5/05/2008, Segunda-Feira – Cahors a Montcuq: 31,8 Km

8h20 – Escrevo caminhando, após uma subida de matar na saída de Cahors. Apenas as meias grossas não secaram e as trago penduradas na mochila. Ontem, apesar de não ter janta no albergue, foi ótimo: pizza em um restaurante, sentados em mesinhas na calçada. Maravilha mesmo. O albergue é uma coisa, caindo aos pedaços (Auberge de Jeunesse Frederic Suisse), mas deu para dormir bem. Começou a chover. Paro de escrever.

22h30 – Vou sentir falta dos franceses. Gentis, amigáveis, auxiliam muito na compreensão do seu idioma... e que comidas!!! Pato caramelado e tantas outras coisas boas! O Caminho foi cansativo, chuva e chuva, mochila pesada, um barro-sabão que torna tudo mais difícil, mas o gîte é estupendo aqui em Montcuq. A bolha do pé está péssima. O bicho, acho que é um espinho. Decidi não estourar a bolha. Vamos ver no que dá. As costas doem um pouco. Tenho feito alongamentos, e acho que ajuda muito. Hoje estourou uma lata de refrigerante e molhou toda a capa da mochila. Deu uma mão-de-obra danada, mas lavei ela toda e sequei com as meias. Co chuva é tudo mais difícil... atividades como juntar o bastão ou o botar/tirar a capa são muito doloridas, mas tudo bem. Que Caminho difícil este. Bem mais difícil que os outros...
O nome da cidade, Montcuq, para quem o lê em Francês sugere uma piada, e não é raro encontramos encontrarmos um postal com o nome da cidade adornado por uma bela senhora em trajes de banho vista de costas... Não vou explicar.



Escrito por Ricardo às 09h58
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Dia 4/05/2008, Domingo – Varaire a Cahors: 33,1 Km

10h30 – Escrevo caminhando sob as árvores, passarinhos a mil... eles gritam por aqui. Ontem vi um esquilo, hoje um cervo. Este trecho tem muita sombra e é horizontal, sem elevações. Na mochila, 1 litro de água, mais 1 litro de suco (2 Kg!), pão, tomate. Até o almoço vai ser este peso  danado, mas eu estou bem, alongando os músculos das costas quando acho que devo. Há pouco tratei o meu pé. Em baixo dos dedos sempre fica uma pequena bolha, antes desta virar calo. Achei um ponto preto sob a pele... será um bicho de pé de novo??? Tive um no ano passado... vamos ficar de olho. No café haviam 6 ciclistas, coisa que sempre mexe muito comigo, pois gosto muito disso. Conversamos bastante sobre o assunto. Quem sabe...

17h40 – Ainda caminhando, cansado. Muitas paradas para descansar. 1 litro de água foi pouco. Por sorte conseguimos reabastecer no Caminho. Cahors não chega nunca. Acho que faltam uns 5 Km ainda, quase 2 h. Nada no horizonte. Caminhar.

18h20 – Aparece a cidade, finalmente, e grande. Agora, descer bastante. É tarde...Não sei se vai dar para lavar roupas.

Dia 3/05/2008, Sábado– Cajarc a Varaire: 25,7 Km

Que perdida!!! O café foi cedo e, o sair do albergue às 7h30, um recorde...depois, cair numa armadilha. A GR-65 tem destas: é sinalizada para os dois lados. Simplesmente voltamos quase 1h por uma variante, seguindo as bandeirinhas, indo, seguros, na direção à La Cassagnole, de volta! Por sorte um casal conhecido que pernoita em barraca e vinha por esta variante fez o alerta. Agora são 9h30, e novamente saímos de Cajarc. Já avisamos por telefone que vamos nos atrasar para o repas (lê-se repá, janta). Que bom ter encontrado o René e a Magali desmontando a sua barraca.

16h40 – Último trecho entre Limogne e Varaire. Dia quente, mangas curtas, bermudas, tranqüilidade total. A janta é às 19h30 e vamos chegar antes, com certeza. As costas doem um pouco e exigem fazer alongamentos de vez em quando. Nas mãos, umas rachadurazinhas doloridas exigem hidratante e há pouco apareceu uma bolha incômoda no calcanhar. Bandaid nela. Caminho agora sobre um asfaltinho, depois de uma boa parada em Limogne com direito a muita Coca-Cola e biscoito. Bastante água na mochila, agora é caminhar para chegar cedo e poder lavar umas roupinhas.

21h40 – Chegando de um passeio à village. A igreja estava fechada. A janta foi muito boa com sopa de pãos velhos, saladas, um prato ótimo com batatas e uma carne assada fatiada em tiras. Para completar uma bela torta de sobremesa. Come-se muito bem quando se tem a demi-pension (meia-pensão). Banho tomado, roupas secando, banheiro no quarto... agora, dormir.



Escrito por Ricardo às 09h58
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Dia 2/05/2008, Sexta-Feira - La Cassagnole a Cajarc: 25,6 Km

O dia foi tranqüilo, mas cansativo. O Petit-Dejauner (café da manhã) foi ótimo, cheio de fisionomias conhecidas. Muito bom mesmo falar todo o tempo em Francês. Dia bonito, sem muitas elevações a subir ou descer. Nota-se claramente a mudança de cenários, agora mais árido, parecido com a Via de La Plata (Caminho de Santiago Sul-Norte, Mérida-Astorga-Santiago, feito em 2007). A ausência total de bares nas villages obrigou a pedir água em uma casa onde uma francesa velha de muita má vontade nos serviu. Um só bar garantiu o sanduíche do almoço neste Caminho de pouca água e pouca comida. Mas a chegada foi cedo, às 16h30, com o sol alto no céu. Toda a roupa foi lavada e secou. A janta foi feita no albergue mesmo com base em um prato congelado com massa, molho e carne de coelho que custou só 3,94 euros e que foi assado no microondas. Depois, café com leite. Às 20h30 teve uma apresentação de corais na catedral, e foi uma maravilha. Estou chegando agora, 23h e me preparo para dormir. 

 

Dia 1°/05/2008, Quinta-Feira - Livignac-le-Haut a La Cassagnole: 31,3 Km

10h20 – Já no plano, após uma subida danada. Décimo dia de caminhada, a saída foi tardíssimo dada a necessidade de reservar os gîtes das próximas etapas. E foi brabo, pois um dos gîtes previstos estava completo, o que obrigou-nos a fazer modificações na programação e caminhar bem mais em uma das futuras etapas. O avanço provavelmente proporcionará fazer St Jean Pied-de-Port a Roncesvalles, o que parece interessante para uma belíssima última etapa nos Pirineus... Agora, caminhar. Céu azul, Cuco ao fundo, outros passarinhos em sinfonia, flores amarelas e vacas, muitas vacas neste trecho que também é chamado “rota do leite”, ou La Route Du Lait.

13h30 – Almoço já feito com pão, sardinha, tomate, mostarda e sobremesa com banana e chocolate com passas. Caminho bonito. Sol.

18h30 – Ainda caminhando a La Cassagnole. Cansaço, dor nas costas. De Saint Felix avisamos que íamos chegar atrasados ao Repas (janta) - Não consegui de jeito nenhum fazer a ligação de um telefone público, mas um francês que passeava com a família, vendo a minha dificuldade emprestou-me o seu celular. Interessantíssima a boa vontade desta gente. Agora, caminhar para não chegar tão atrasado.

21h20 – Indo dormir. A chegada no gîte foi às 20h e fomos acolhidos muito fraternamente, com muita festa. Afinal, 80% eram conhecidos. Todos estavam jantando, mas as nossas porções estavam reservadas. Tudo tranqüilo, banho tomado, roupa não lavada pois não deu tempo mesmo. Amanhã, a última cueca limpa, mas nunca precisei repetir, não vai ser desta vez. A jornada foi comprida, mais de 30 km. Agora vou estudar as próximas etapas para dar um jeito de ir a Roncevaux (Roncesvalles).



Escrito por Ricardo às 09h58
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Diário

Dia 30/04/2008, Quarta-Feira - Conques a Livignac-le-Haut: 25,8 Km

21h50 – Escrevo no gîte de Livignac, depois de uma etapa na chuva e muito cansativa desde Conques com subidas fortíssimas e atoleiros de barro. A noite anterior foi terrível. A dor nas costas quase me matou, fazendo-me acordar a cada 20 minutos (depois de tomar um analgésico me acordava a cada hora). Cheguei a pensar em tirar um “day-off” (dia sem caminhar) em Conques, mas já estão feitas as reservas das próximas etapas até o dia 3/05, feriadão. Ajustei a mochila para descarregar tudo na cintura, sem apoiar nada nas costas e deu certo. O Caminho foi duro, mas as costas não doeram nunca (estão doendo agora, as danadas). O gîte é numa casa de família onde a dona é uma francesa mandona. Ninguém gostou dela por aqui. A janta foi com sopinhas trazidas do Brasil, ainda remanescentes (tenho só para mais uma vez) e pão. Dia cansativo. Caminhar na chuva e enfrentar o calor com muita roupa e frio com pouca roupa no contínuo coloca-e-tira dos casacoe e capa. Não é fácil, mas pensar que isso são coisas daqui, do Caminho de Santiago, é bom. Vou dormir.

 

 

Dia 29/04/2008, Terça-Feira - Massip a Conques: 22,8 Km

9h30 – Já passei por Golinhac. Estou escrevendo enquanto caminho. Gosto disso. Não está chovendo mas têm nuvens escuras em cima. Um friozinho serrano aqui a 630 metros de altitude, a mesma altitude de Canela/RS. Quase torci o pé. Paro de escrever.

10h10 – Trilha mais tranqüila, indo a Espeyrac. Sol. Mantimentos já “em cima”, literalmente. Não resisti e comprei 1 litro de suco a 60 centavos de Euro. A Coca em lata era 90. As costas doem, mas tudo bem. Estou no maravilhoso Caminho de Santiago mais uma vez, desfrutando dos prazeres que transcendem em muito as adversidades. Me queixo às vezes, mas é tão bom... me lembrei da história da amante paraguaia, aquela que nos faz de gato e sapato, mas continuamos sempre apaixonados e a querendo de novo...rs

 22h – A etapa foi muito tranqüila. Conques é uma cidade medieval, toda preservada, belíssima. Ainda não consegui o cartão telefônico internacional, necessário para telefonar ao Brasil. O albergue, na abadia Sainte-Foy tem uma acolhida muito fraternal. A janta foi ótima e todos comemos muito em um grupo de mais ou menos 60 pessoas. Apesar da etapa ter sido leve em comparação às outras sinto dor nas costas, mas tudo bem, são coisas do Caminho. Agora, dormir.

 

 

Dia 28/04/2008, Segunda-Feira - Espalion a Massip: 24,6 Km

Chuva o dia inteiro. Dia incrivelmente cansativo pelos sobe e desce intermináveis. Na verdade as subidas foram tão longas e extenuantes que nem me lembro das descidas... subidas longas mesmo com esta mochila tão pesada que causa um cansaço muito grande. Na chuva então, caminha-se curvo, olhando apenas 1 metro à frente, no “buraco do boné”, a passos de formiguinha, cravando o cajado no chão conformadamente. Nesta etapa ainda teve de tudo: barro-sabão em uma rampa de 60 graus, pedras escorregadias, atoleiros e asfalto. Foi um cansaço de “perder a dignidade” onde não se podia parar porque chovia muito e não haviam abrigos... para ter idéia o almoço foi feito em pé, em baixo de chuvisco, após subir uma rampa forte de pedras que chegou no asfalto. Ali, no chuvisqueiro, na lomba de asfalto as mochilas foram descidas e comeu-se pão com Coca-Cola na total impossibilidade de pegar o tomate, a mostarda e o atum que estão ainda na mochila.

Dia comprido, difícil, onde aparecia o Cuco de vez em quando adivinhando, quem sabe, o tempo bom.

Dia complicado em que não consegui telefonar para o Brasil que tanto eu queria. Dia em que chegamos ao gîte com as botas molhadas e a jaqueta impermeável toda molhada (na saída havia vestido a calça impermeável sem a outra por baixo, a camiseta e a jaqueta impermeável – parkha- e em cima dela, a capa).

O gîte L’Orée du Chemin em Massip, 2 Km antes de Golinhac é ótimo: o quarto tem banheiro e a comida, excelente, e o café, ótimo. Tudo novinho, limpo e bem cuidado e com aquecimento. Um verdadeiro oásis. Lavei toda a roupa: camisetas, cuecas, meias, boné. Tudo secou.

 



Escrito por Ricardo às 09h57
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Vídeo

Abaixo um link para um vídeo imperdível para quem quer conhecer um pouco (Le Puy-Conques) da Via Podiensis, cortesia da peregrina Jurema Miguel. Aqui no Blog desde 2005 temos um atalho para o álbum de fotos da Jurema no setor "Outros Sites", abaixo da foto da Catedral.

O Link para o vídeo é :

http://cjmker.free.fr/realites/sur-le-chemin.wmv

Muito Obrigado, Jurema. Valeu mesmo!



Escrito por Ricardo às 15h45
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A Canção do Peregrino

Ultreïa ! Ultreïa ! E sus eia Deus adjuva nos !

Tous les matins nous prenons le chemin,
Tous les matins nous allons plus loin.
Jour après jour, la route nous appelle,
C’est la voix de Compostelle.

Ultreïa ! Ultreïa ! E sus eia Deus adjuva nos !

Chemin de terre et chemin de Foi,
Voie millénaire de l’Europe,
La voie lactée de Charlemagne,
C’est le chemin de tous mes jacquets.

Ultreïa ! Ultreïa ! E sus eia Deus adjuva nos !

Et tout là-bas au bout du continent,
Messire Jacques nous attend,
Depuis toujours son sourire fixe,
Le soleil qui meurt au Finistère.

Ultreïa ! Ultreïa ! E sus eia Deus adjuva nos !


Paroles et musique Jean-Claude Benazet
Quem quiser ter uma idéia de como é a música, achei um vídeo meio danado no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=xhW5orZIe4w


Escrito por Ricardo às 20h03
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Imagem

Peregrinos entre Le Puy e St Privat em um Caminho belíssimo, ainda castigado pela neve.



Escrito por Ricardo às 19h51
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Estudar Francês

Para o Caminho Francês na Espanha, lançar-se apenas com o nosso português dá para o gasto... mas é claro que é importante falarmos outras línguas se quisermos nos comunicar com peregrinos de outras partes do mundo. Para caminhar na França, porém, apenas o falar Inglês pode complicar às vezes, principalmente pela necessidade de fazermos reservas por telefone. Eu mesmo ajudei um casal de japoneses nessa tarefa e olhe que estavam em dificuldades, pois os hospitaleiros não falavam Inglês...

No sentido de ajudar a quem queira aventurar-se pelos caminhos franceses, alcanço um endereço eletrônico bem interessante, colaboração da peregrina Jurema Miguel que já se ensaia a regressar às Rotas Jacobeas, quem sabe em solo francês já desta vez.

O endereço é http://avangardix.ueuo.com/

Muito Obrigado, Jurema. E Buen Camino!



Escrito por Ricardo às 21h07
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Resposta ao Slal

Respondo em destaque os questionamentos do Slal, que podem ser úteis aos demais peregrinos que estudam se aventurar em solo Francês.

Pergunta:

""...recebidos com xixi pela dona do gîte que fechava..." Xixi é alguma coisa que não seja urina?...rsss,Por favor, seria possível vc comentar o preço destas estalagens?(gites) Tem um preço médio por dia em França,na despesa de manutenção e pouso? Quando menciona caminho pesado são subidas com aclives maiores de 30graus?Mui extensos?Fez sua própria comida em algum albergue?Encontra-se mercados ou produtos,comida, facilmente nas vilas? são caros?...farei este caminho no próximo ano e gostaria que, por favor, me informasse estes detalhes que te pergunto. Se quiser use meu endereço de email.Mui grato. Abç
Slal Stevan | slalstevan@...| São Paulo - SP |  05/07/2008 12:43"

Respostas:

1. Desculpem ter escrito "xixi" assim, desavisadamente. Não sabia que era uma expressão regional. Por aqui pelo Sul significa uma descompostura, quase um xingamento;

2. Sobre os preços das estalagens: A dica mais quente é acessar o site http://www.chemins-compostelle.com/ e clicar no Link "Demande de Documentation". Eles muito gentilmente encaminham um conjunto belíssimo de informações que incluem uma lista de albergues muito boa. Esta lista serve bem para fazermos a programação, mas ainda assim devemos comprar por lá um guia atualizado. Para terem uma idéia de preços, informamos: Existem os albergues religiosos que são por donativos, paga-se o que quer e recebemos janta e café da manhã. Depois existem os gîtes e chambres d'hôtes que tem características semelhantes: quando o quarto é coletivo, paga-se algo em torno de 7 a 10 euros por pessoa. Quando o quarto é privativo, de 10 a 16 euros por pessoa, algo assim. Nos gîtes às vezes tem as "coin cuisines" onde se pode cozinhar e/ou fazer o café da manhã sem pagar nada. Quando pagamos, o café da manhã fica em torno de 4 a 5 euros e o repas (janta) em torno de 12-16 euros. Cá entre nós, vale à pena pagar o repas, pois as comidas são mesmo muito boas. O meu orçamento diário ficou perto dos 35 euros por dia, pois alternaram-se naturalmente os pernoites com e sem repas.

3. Sobre o "Caminho Pesado"... é pesado mesmo. Entre Le Puy e Conques as descidas e subidas são de matar. Nos demais trechos, mesmo com perfis mais favoráveis, as distâncias matam. Eu emagreci desta vez uns 4 quilos, diferente dos outros caminhos (menos o do Norte, difícil também), onde cheguei a engordar 3 Kg...

4. Sim. Fiz comida em vários albergues, normalmente massa com alguma coisa ou comida congelada comprada em supermercados ou vendas. São caras as comidas por lá sim. Tem que escolher bastante e nunca, NUNCA fazer a conversão para Reais.

Por favor, fiquem à vontade para perguntar.

Buon Chemin!



Escrito por Ricardo às 17h16
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Dia 27/04/2008, domingo – Saint-Chély-d’Aubrac a Espalion: 23,7 Km

9h30 – Caminhando agora sobre milhares de folhas secas numa floresta magnífica, ao som de pequenas cachoeiras. À minha volta, neste ambiente mágico, os passarinhos dão um verdadeiro show. Tranqüilidade total, já com mantimentos na mochila e uma jornadinha de 23 Km pela frente. A noite foi tranqüila no gîte (albergue) apesar do calor forte gerado pelo aquecedor que somado ao fato do compartilhamento do quarto entre 4 pessoas (que não permitia o destapar-se) fez com que eu me acordasse várias vezes. O petit-déjeuner (café da manhã) foi magnífico, com os franceses sempre gentis em me ensinar a falar o seu idioma. Tudo muito bom. Agora, largo a caneta e pego o cajado para subir por esta bela trilha com pedras.

10h30 – Em marcha,ficando um pouco para trás do belo grupo de peregrinos com quem caminhava. Realmente parecem cenários de filmes estes bosques maravilhosos onde a natureza nos acolhe tão organicamente nos fazendo sentir naturalmente “em casa”.

17h20 – Ainda caminhando, entre Saint-Côme-D’Olt (São Cosme) e Espalion, e que Caminho bonito... Subida terrível, mas muito bonita mesmo.

19h – Chegada a Espalion. Subida terrível, descida pavorosa. Torci o pé (sem consequências desastrosas por causa da bota, com certeza) e o joelho direito está doendo. Uma nuvem preta está ao longe com relâmpagos e despejando água. Decido não parar para botar a capa... vamos ver no que dá.

21h50 – Preparando para dormir. Não choveu, mas no jornal diz que amanhã não escaparemos. A chegada foi às 19h30 e o gîte fechava às 18h... porta fechada. Parou um carro e um casal de idosos muito gentilmente nos informou o endereço de outro gîte. Na mesma hora apareceu um casal de peregrinos que perguntou se tínhamos reservas, e sendo a resposta afirmativa, abriram-nos a porta e fizeram contato pelo seu celular com o responsável pelo gîte. Estávamos dentro. Neste momento estou na cozinha/refeitório, cercado de franceses que sobem a escada, neste momento. As roupas estão todas lavadas e secando no aquecedor do banheiro. Um pouco de dor no pé direito, nada no joelho. As costas doem um pouco, o que exige um bom alongamento antes de dormir. A janta foi de sopinhas, ainda as trazidas do Brasil. Os gastos do dia foram os mantimentos do almoço (algo como uns 3 euros) e uma Coca-Cola de 2 euros. Os gîtes custam uns 30 euros quando é meia pensão (demi-pension: dormir-janta-café da manhã), mas este é só para dormir: 13 euros. Hoje fiz economia. Agora, descansar. Boa Noite.



Escrito por Ricardo às 17h16
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Dia 26/04/2008, sábado – Prinsuéjols a Saint-Chély-d’Aubrac: 34,6 Km
Sono tranquilo. Lavamos todas as roupas, incluindo as calças, e tudo secou no aquecedor que havia na ante-sala do banheiro. O café da manhã no gîte foi muito bom, com croissants e chimias feitas no local pela hospitaleira. Dona Cristina, filha de portugueses, estava hoje mais tranquila e inclusive nos emprestou a chave da igreja para visitarmos. Explicou-nos sobre as diversas construções em pedra do Século XII, sobre os costumes e também sobre os mortos da Primeira Guerra Mundial, que são muitos, em todas as villages visitadas. Agora são 8h50. A saída foi às 8h30 e escrevo caminhando sobre o asfalto. Um monte nevado nos acompanha à esquerda. Caminho sobre a route (estrada asfaltada) procurando a village de Finieyrols.

12h – Nasbinals. Caminho bonito, com algumas subidas fortes. Sem nada de comer na mochila, tenho a esperança de comprar o almoço por aqui.

13h – Saindo de Nasbinals... com guia e tudo uma bela perdida, mas tudo bem. Sacola cheia de comida na mão após uma bela Coca-Cola nesta petite village acolhedora onde as senhoras na Boulangerie (padaria) me ensinaram com muito boa vontade e entusiasmo a falar fatia (tranche... lê-se algo como trrrônche). Os franceses são mesmo gente muito boa.

21h15 – Já no gîte, após a janta, na frente do microcomputador estou passando as fotos para o pen-drive. O Caminho de hoje foi encantador com muitas trilhas em meio à floresta com uma riqueza muito grande de passarinhos e riachos em meio às árvores ainda brotando depois da neve. Uma marcha de mais de 30 Km sempre cansa um pouco, mas desta vez nem as solas dos pés me doem. Para evitar o stress, perto das 17h telefonamos ao gîte para dizer que chegaríamos mais tarde e assim evitarmos as desculpas ao hospitaleiro. Tudo bem. A chegada foi às 19h30 (estavam nos esperando para jantar) e depois de um banho rápido, descer para uma belíssima janta em uma mesa de muitos franceses, alemães e uma sul-africana. A faixa etária média passa bem dos 50 anos. Após passar estas fotos, vou abrir o email para mandar e receber notícias do Brasil. Depois, Dormir.

 

Dia 25/04/2008, sexta-feira - Le Rouget a Prinsuéjols: 33 Km

8h – Preparando para sair. Lá fora uma geada deixa esbranquiçada a vegetação verde. Melhor assim: vai a roupa toda no corpo e não pesa na mochila. O sono foi tranquilo, apesar do tapa-destapa ditado pelo desliga-liga do aquecedor. Estou bem, sem dores musculares. O café já foi tomado, muito bom. A janta de ontem foi muito boa também... estes gîtes que são em fazendas servem leite natural, chimias diversas feitas em casa e têm um muito bom atendimento. No Caminho, muitos franceses e alguns noruegueses, holandeses e alemães. O peregrino que vem para cá deve sim saber um pouco de Francês... mesmo que fique boiando muitas vezes nas conversas e misturando palavras em Inglês para ser entendido, vale à pena estudar. Também para reservar os gîtes das próximas noites pelo telefone, é fundamental.

22h – No gîte – A  jornada de hoje foi de superlativos: belíssima e dificílima. A mochila continua muito pesada mas a passagem por bosques de pinus e o encantamento concedido pelos passarinhos (incluindo o Cuco) faz com que se cumprissem os quilômetros e quilômetros com alegria e tranquilidade. Hoje caminhamos mais do que o necessário. Existe um segredo para chegar-se certo ao gîte de Prinsuéjols: Não seguir a placa que diz “Prinsuéjols”. Isso mesmo. Se seguir, faz o mesmo que fizemos e caminham-se terríveis 5 Km adicionais pela “GR de Pays”. Não se pode seguir a placa. Tem que passar e ir a Les Quatre Chemins e então dobrar à esquerda, como diz no guia. Resultado: a chegada foi às 20h15, depois de mais de 12h de caminhada. E ainda por cima fomos recebidos "com xixi" pela dona do gîte que fechava às 18h e, sem a confirmação da reserva e a demora, não havia feito comida para nós. Mas no final, depois de uma conversa tudo ficou tranquilo. O quarto é bom, e a comida também foi.



Escrito por Ricardo às 17h38
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Dia 24/04/2008, quinta-feira - Saugues a Le Rouget: 25,5 Km

A janta foi ótima, com uma couve-flor gratinada deliciosa, com ótimos acompanhamentos. Muito boas mesmo essas comidas daqui... Comemos muito mesmo, todos. A noite foi tranquila e o café da manhã, uma maravilha. A saída foi tarde, por volta das 9h. Mme Martins (que descobrimos ser casada com um português...então, seu sobrenome se pronuncia assim mesmo) indicou-nos o gîte de Le Rouget que abrevia um pouco a etapa sem alterar muito a posterior e são pessoas muito acolhedoras. Vamos ver. Na saída, já de posse de um cartão telefônico, fizemos diversas reservas para os gîtes dos pernoites seguintes. Interessante e diferente isso de reservar previamente, pois dá a impressão de engessar as etapas, mas ao mesmo tempo dá a segurança de poder caminhar devagar sabendo que vai haver uma came e banho quente esperando.

A jornada prometia ser mais tranqüila que a de ontem, sem tantos altos e baixos. E assim o foi. Belíssima, com muitas trilhas pelo mato e estradinhas.

A mochila continua horrivelmente pesada, ainda mais com o litro de suco que levei por mais de meia jornada. Na saída de Saugues havia a esperança de encontrar pão. Não havia, e nem no Caminho. Sem pão o almoço ficou por conta de um Nutry, banana e bananas secas (ainda remanescentes do Brasil)... e o litro de suco. Nem chocolate não havia. Neste Caminho quase não existem bares, muito menos padarias. Cada etapa tem que ser planejada para não faltar pão, água ou o que seja.

A chegada ao gîte foi às 18h30, depois de 9h30 de caminhada. Já lavei toda a roupa (de ontem e de hoje) e escrevo enquanto espero o banho no único banheiro. Este albergue é em uma fazenda que foi adaptada e as acomodações ficam sobre o estábulo. Apesar de soar estranho é bom, limpo e as pessoas que atendem são mesmo agradáveis.



Escrito por Ricardo às 08h05
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Preparado para a Chuva...



Escrito por Ricardo às 21h06
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Começa o Diário

 

23/04/2008 - Saint-Privat-d’Allier a Saugues: 19,2 Km

19h – Já no gîte (que é como se chamam os albergues por aqui). Banho tomado, roupas lavadas, esperando a janta que é às 20h.

A etapa de hoje foi relativamente curta, mas demorou mais tempo que a de ontem. Foi uma etapa belíssima mas muito, muito pesada e que botou à prova tudo: a mochila (pesadíssima), os joelhos, os pés, as costas...

Na saída de St privat, a maior descida que eu já havia visto em todos os Caminhos: incrível, por entre pedras, no meio do mato... exigia um segurar constante em árvores e um caminhar pé-ante-pé. O cajado foi fundamental mesmo, e as botas também. Por mais de hora ficamos nesta descida impressionante e depois de um breve trecho, subir. Foram 10 Km de subida contínua, fortíssima. Até escada de toras tinha em um certo trecho para ajudar os peregrinos. Terrível, mas foi vencida. Foi mesmo um trecho de vitória, principalmente sobre a Lei da Gravidade, tão danada por aqui.

No final, chegamos todos bem e depois de procurar onde ficar (não havíamos feito reservas) foi-nos indicado o Gîte de Madame Martins (lê-se Martan) onde, a 30 euros (terrível, mas normal por aqui para o que se chama demi-pension) temos cama, banho, janta e café da manhã. Como já está tarde e o tempo meio nublado, adiei a lavação de roupas para amanhã. Acontece. Hoje, ao longo do dia, não choveu. Estava frio em muitos trechos, mas a subida exigiu mangas curtas... tanto pior, pois as roupas quentes que saíram sobrecarregaram ainda mais a mochila, já tão pesada.

No almoço chocolate (tínhamos a expectativa de chegar cedo, dada a quilometragem a percorrer), mas antes da janta comemos frutas secas e bananas. As compras para o meio-dia de amanhã (etapa de 31 Km) já estão feitas... mais peso a carregar. Agora, descer para jantar.

 

 

22/04/2008 - Le Puy-en-Velay a Saint-Privat-d'Allier: 23,9 Km

8h50 – Saindo de Le Puy, subindo. Me permito escrever caminhando. A chegada a Le Puy ontem foi de uma sincronia impressionante. Desde a saída a integração avião-trem ônibus foi perfeita, tanto que nem foi possível comprar cartão telefônico, necessário para fazer as reservas dos albergues (gîtes d’etapes) para os dias seguintes. Na chegada a sincronia não poderia ser diferente: um grupo de peregrinos que vinha no mesmo ônibus nos conduziu até um Gîte perfeito, que nem estava nas minhas anotações colhidas na internet: Gîte por donativo (paga-se quanto se acha justo), cama ótima, banho ótimo, café da manhã ótimo. Ao descer do ônibus fomos todos a um supermercado próximo, onde compramos o almoço para hoje.

Minha mochila está pesadíssima e o primeiro desafio foi vencer a Força da Gravidade para subir os degraus da Catedral e receber a Benção dos Peregrinos às 7h. A Força da Gravidade continua atuando forte e neste momento (9h) saímos da cidade por uma trilha. Faz frio, um pequeníssimo chuvisco se faz sentir no rosto, mas tem suor dentro das roupas. Tranquilidade total, passarinhos cantando a mil, agora, caminhar.

20h – A chegada ao albergue foi às 16h30 de um dia muito tranquilo. Esta primeira etapa foi um passeio. O albergue também é por donativo e, com as camas todas ocupadas, apenas um colchão no chão foi possível, mas tudo bem mesmo. A janta foi sopa e massa (trazidas do Brasil) e mais um tomate, uma maçã e quase um litro de leite. Agora escrevo, preparando-me para ir à internet ver se consigo algumas notícias do Brasil. Talvez nem consiga por causa da concorrência... Muito bonita a Via Podiensis neste trecho: muitas trilhas no meio das árvores, muitos passarinhos e casas de pedra. Muita tranquilidade mesmo. Agora, na rua, cai uma chuvinha. Amanhã, vamos ver.

 

Bela paisagem da primeira etapa



Escrito por Ricardo às 07h49
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Finalmente...

Finalmente inicio as publicações da Via Podiensis, depois de algum tempo de readaptação à diversas mudanças por aqui, principalmente em meu trabalho.

Percorrer a Vía Podiensis foi uma experiência maravilhosa e parece-me que faz um coroamento entre os demais Caminhos percorridos (Francês, do Norte/Primitivo e Vía de la Plata)... algo como um doutorado, coisa assim.

Começo agora a fazer a publicação do diário, de algumas fotos e muitas impressões. Com certeza as pessoas que se interessam em fazer este Caminho encontrarão muitas dicas e aos que são apenas interessados ou curiosos, com certeza aproveitarão também esta belíssima experiência de Vida.

E novamente convido os leitores do Blog a me acompanharem nesta aventura... neste verdadeiro desligamento das correrias do dia-a-dia e conexão a uma realidade tão diferente, em país diferente, língua e cultura diferente... Vamos lá!

Vista da Catedral de Le Puy, peregrinos partindo.



Escrito por Ricardo às 07h47
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Na Mochila


Agora, quase meia-noite da véspera da partida... neste momento terminei de fechar a mochila e relaciono abaixo as coisas que estou levando. Para a viagem reparti diferente do que vou fazer no Caminho: Preparei para despachar como bagagem um pacote colocando no interior da esterilha o cajado, os alimentos e outras coisas diversas: canivete, caneca, varal, etc... coisas que podem ser dispensáveis. Deixei todo o essencial bem espremido na mochila para levá-la como bagagem de mão. Coisas de gato escaldado que quase ficou sem toda a mochila no ano passado, perdida no trecho Buenos Aires-Paris e que só chegou na véspera da partida para o Caminho, quatro dias depois.

Mas vamos à lista:

Mochila da marca Deuter, 60+10 litros (antes levava uma de 45 litros que se detonou. Esta, maiorzinha vai com espaço sobrando, o que evita levar sacolinhas nas mãos...)

Pochete grande, da Trilhas e Rumos

Bastão de Caminhada, Telescópico

Saco de Dormir da Trilhas e Rumos, P/ 0ºC (600 g)

Botas Salomon ( aprox 800 Km "rodados". O primeiro par andou mais de 2.000 Km)

Esterilha - Isolante Termico

Laminado de Primeiros Socorros

Casaco Parkha da Trilhas e Rumos

Casaco de Fleece da Trilhas e Rumos

2 Calças-Bermuda

2 Camisetas Dry-Fit manga curta

1 Camiseta Dry-Fit manga comprida

3 Cuecas

1 Gorro-Gola de Fleece

Capa de Chuva (cobre a mochila) da Trilhas e Rumos

Calça Impermeável (fiz diversos furos para ventilar melhor)

Polainas da Quéchua (tipo tornozeleiras)

Blusão e Calça de abrigo bem leve e forrados (para depois do banho)

1 Sandália Pegada Extra-Soft

1 Boné tipo legionário, com abas cobrindo a nuca

1 Balaclave (gorro ninja que cobre a cabeça, só com o buraco dos olhos)

1 Par de Luvas de pele de Coelho (uma judiaria, mas são muito boas)

1 Par de luvas sem dedos

2 Pares de Meias grossas

2 Pares de Meias finas (vou usar 1 grossa e 1 fina em cada pé p/ evitar bolhas)

1 par de Meia sobressalente (meias normais)

2 Fraldas (leves e absorventes, vão servir de toalha)

8 Sacos Plásticos tipo Ziploc p/ congelamento grandes (27 x 28 cm)

6 Sacos Plásticos tipo Ziploc p/ congelamento médios (18 x 20 cm)

4 Sacos de Lixo 50 litros

Palmilha moldada à gesso (especial para os meus pés)

Palmilha de Silicone - Pé inteiro

Palmilha só p/ calcanhar, de Silicone (tem que ter muito conforto nos pés)

2 Joelheiras

Óculos oficial e reserva

Gaita de Boca

Relógio (muito a contragosto)

Lanterna pequena

Máquina Fotográfica (com cabos para conexão e do carregador, 1 Pen-Drive 2GB para armazenamento durante o Caminho e 2G + 512 MB de memória)

Extensor Elástico (1,5m - vai servir de varal, além de outras coisas)

Canivete

Isqueiro

Colher média

Caneca Inox

Tesourinha

Resistor para aquecimento 220V(Não vou chamar de rabo-quente porque pode pegar mal...)

4 Alfinetes de Fralda

4 Prendedores de Roupa

Agulha e Linha de costura

Protetor Solar

Pasta de Dente

Escova de Dente

Fio Dental

Desodorante

Sabão de Glicerina

Pó Granado

Hipoglós

Dorflex (p/ dores musculares)

Nimesulide (anti-inflamatório, receitado pelo ortopedista)

Novalgina

Band-Aids

Fita Micropore

Iodo

Papel Higiênico

Caderneta para anotação

Caneta

Folhas-Guia com informações necessárias

Passaporte com cópia xerox

Passagens com cópia xerox

Carteira de Identidade, com cópia xerox

Guia do Seguro Internacional do INSS

Seguro de Saúde 30.000 Euros

Voucher do Seguro do Cartão Visa Gold

Cartão de Crédito

Porta-Dólar (bolsinha que se leva por dentro da roupa)

Café solúvel (refil)

1 Chocolate e vários Nutrys


Cumpre-me novamente agradecer e elogiar ao pessoal da Sapesca, do Conjunto Comercial Canoas, onde comprei vários ítens, como sempre muito bem atendido.

Ultreya e Suseya!


Escrito por Ricardo às 23h52
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Faltam Dez Dias

Faltam hoje 10 dias para o embarque e quero registrar por aqui a sensação interessante de novamente aproximar-se a hora da partida.

Aos poucos os procedimentos vão-se finalizando, não apenas da reunião e compra de coisas, como também das reuniões familiares e acertos finais para a ausência prolongada.

Várias coisas ainda estão pendentes e algumas vão ficar, mas é assim mesmo.

Algo que escrevi por aqui me vem à mente, que é a semelhança de ir ao Caminho com a morte... e me vem a tranqüilidade de saber que mesmo sem a nossa presença a “vida normal” continua e os problemas são resolvidos sim, às vezes até melhor do que seriam com a nossa participação.

Aproxima-se o entrar na Sala de Embarque que me leva para fora deste mundo em que gosto tanto de viver e me leva para outros cenários pertencentes a outra cultura, onde falam outras línguas... sempre acho análogo ao sistema morte-nascimento, mas com a vantagem presumida de poder voltar!

E a volta é interessante, mais ou menos como cair de uma espaçonave: não se sabe o que aconteceu na política, na economia, na família, no trabalho, Inter, Grêmio...

É o retornar ao mundo, como quem acorda 40 dias depois, incrivelmente bem, como no despertar de um sonho maravilhoso... Ainda agora me emociono com a lembrança três vezes vivida de chegar em casa e ver um monte de frutas... Nossa! Quem já fez o Caminho sabe como é...

Mas isso é a volta do sonho. Agora, preparo-me para ir, louco para botar a mochila nas costas e sair, mesmo sabendo que sentirei a falta dos que amo.

Abaixo, para conhecimento de todos, algo da lista final de providências:

- Carteira de Alberguista (Albergue da Juventude www.hihostals.com);

- Seguro INSS, Convênio Internacional;

- Seguro Internacional de 30.000 Euros;

- Seguro do Cartão de Crédito Visa Gold;

- Credencial do Peregrino, da Assoc. Amigos do C. Santiago;

- Cartão adicional para a máquina fotográfica;

- Estadia no local de chegada;

- Passagem aérea interna www.easyjet.com

- Mantimentos, roupas faltantes, coisas de farmácia, costura, etc...


Escrito por Ricardo às 21h38
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Conques


Conques é situada na afluência dos rios de Dourdou e de Ouche. Construída em uma costa de montanha e com as ruas medievais estreitas clássicas, os seus veículos, à exceção daqueles que pertencem aos residentes, não podem transitar no centro de cidade historica e devem estacionar fora.

A cidade foi construída em sua maior parte no Século XIX, e conservada pelos esforços de um número pequeno de moradores dedicados. Em conseqüência, o núcleo historico da cidade tem poucas edificações que datam entre de 1800 e de 1950, deixando-se as estruturas medievais notavelmente intactas.

As suas estradas foram pavimentadas, e modernos equipamentos de infraestrutura de serviço público são enterradas.

A abadia-igreja de Sainte-Foy em Conques foi uma parada muito popular para peregrinos medievais em seu Caminho a Santiago de Compostela, como o é agora na Espanha. Sua construção foi começada nas fundações de uma basílica, dirigida pelo abade Odolric (1031-1065) e terminada em torno do ano 1120. Foi construída no estilo de Romanesque, usando pedra calcária local. A abóbada grande que a cobriu originalmente desmoronou e foi substituída no século XV.

Conques, na França, pertence à Região Midi-Pyrénées, e tem 302 habitantes. Encontra-se no final de minha oitava etapa da Via Podiensis, o Caminho de Lê Puy.



Escrito por Ricardo às 18h27
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A orientação na Via Podiensis

 

(Le Balisage et la Signalétique)

 

O Caminho de Santiago de Compostela é reconhecido como "Grande Itinerário Cultural" pelo Conselho da Europa. A esse respeito, uma identidade visual com logotipia específica, identificando itinerários compostelanos, foi concebida para sinalizar cada trecho. No entanto, sobre o Caminho estas marcações não são instauradas de maneira sistemática.

 

Alguns trechos do Caminho de Santiago fazem parte das chamadas Grande Randonnée (GR®) e utilizam as sinalizações vermelho e branco da Federação Francesa de Randonneur (FFR), às vezes combinada com a sinalização européia.

 

De acordo com os territórios atravessados, diferentes sinaléticas guiarão os peregrinos à Compostela.

 

  

A Sinalização  dos Caminhos

 

 

O Itinerário Cultural do Conselho da Europa

 

 

É o identificador europeu dos Caminhos a Santiago de Compostela (concha estilizada amarela sobre fundo azul). Esta sinalização européia é corrente na Espanha e está progressivamente sendo implantada na França e em outros países (Suíça, Bélgica...). Pode ser utilizada igualmente em meio urbano ou rural sob a forma de elementos de bronze, de cerâmicas, de etiquetas, de gravura... Atenção: este logotipo estritamente demarcador da presença do Caminho. Como indicador de direção exige máxima atenção, pois pode inverter-se completamente (exemplos espanhóis: na Astúrias  a figura acima indica à esquerda e na Galícia à direita). Ver advertência abaixo.

 

 

Os caminhos de Grande Randonnée (GR®)

 

 

São sinalizados conforme o padrão estabelecido pela Federação Francesa de

Randonneur (FFR): marcação vermelha e branca. Os itinerários compostelanos não são sempre GR. E nem todos os GR são caminhos para Compostela. A marcação é encontrada sob a forma de traços de pintura sobre árvores, pedras, muros ou de marcações auto-adesivas sobre postes ou ainda sob a forma pequenos painéis acompanhados de textos. As mudanças de direção são indicadas especificamente conforme modelo.

 

As Flechas Amarelas

 

 

 

São encontradas com abundância ao longo dos caminhos na Espanha, e, às vezes, na França. Aparecem sobre muros, postes, passeios...

 

 

 

A Sinalização Rodoviária e Urbana

 

 

 

Nas entradas de aglomerações urbanas encontramos painéis que dizem " Halte sur le chemin de Saint-Jacques " que é uma sinalização rodoviária à entrada de certas comunidades dos Midi-Pyrénées e de Aquitânia.

 

 

 

Em Pirinéus-Atlântico, uma sinalização rodoviária mais recente indica o Itinerário Cultural do Conselho da Europa, freqüentemente acompanhada de informações sobre o patrimônio cultural.

 

 

Travessias Urbanas

 

 

Certas comunidades escolheram balizar a travessia urbana através elementos fixados, placas históricas, de placas de rua. O circuito não é acompanhado sistematicamente de um folheto cultural, portanto é importante dispor de um guia para evitar as quase inevitáveis perdas, principalmente nas cidades maiores.

 

  

 

Advertência

 

 

 

Em certos territórios o peregrino terá que enfrentar um verdadeiro quebra-cabeça. O símbolo identificador europeu não foi concebido para indicar uma direção. Esta lacuna deu lugar a livres interpretações que infelizmente transformaram este símbolo posicional em elemento direcional. Assim, a sua orientação pode dar uma direção diferente de um território à outro (às vezes o ponto de convergência dos raios dá a direção, e às vezes é a ponta que a indica).

 

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Informações gentilmente  fornecidas por:

 

Association de Coopération Interrégionale
«Les chemins de Saint-Jacques de Compostelle»
4 rue Clémence Isaure - FR-31000 TOULOUSE
Tél. : +33(0)5 62 27 00 05
http://www.chemins-compostelle.com



Escrito por Ricardo às 18h25
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Peregrinos e Randonneurs

 

Hoje em dia a França é uma nação que conta com uma grande tradição senderista (com até uma Federação Nacional, que já passa dos 50 anos de existência). Por isso é frequente em temporada de verão encontrarmos bastante randonneurs (senderistas), e, em geral, com muitas pessoas que nunca qualificariam a si mesmas como Peregrinos ou Peregrinas. São pessoas que fazem trechos da rota em um ou outro sentido, e que, cedo sabem que não vão chegar a Santiago, ainda que caminhem sobre o Caminho de Santiago (sucede que os sendeiros sinalizados pela FFRP, como este chamado GR-65, normalmente podem ser percorridos em ambos os sentidos).

 

Assim, resulta evidente que não se pode encontrar ali o mesmo ambiente humano que nos Caminhos Jacobeos espanhóis. Resumindo, nos Caminhos espanhóis, seja quem seja e tenha as motivações que tenha, este se considera e se sente um Peregrino. Na França, não. Na França existe uma certa distinção entre os Randonneurs e os Peregrinos. Creio que é importante saber disto com antecipação.

 

Mas também existem os viajantes que vão a Santiago. Na realidade, e sobretudo na parte final da rota, não é difícil encontrar caminhantes que, ainda que não disponham do tempo ou das "ganas"  necessárias para chegar à Compostela, empreendem uma grande caminhada sobre a Via Podiensis com motivações cristãs  ou, mais amplamente, espirituais. Estes sim, se consideram Peregrinos.

 

Traduzido com adequações de www.godesalco.com

 



Escrito por Ricardo às 18h25
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Uma experiência

Através do Orkut recebi umas dicas que repasso aqui por entender que podem auxiliar a quem se aventure a fazer a Via Podiensis:

"Fui também de Le puy até Santiago. Eu posso te dizer que vale a pena. Adorei.

Os primeiros sete dias voce passa por regiões muito diferentes.
Agora voce tem que saber... O caminho na França é um pouco diferente;

Primeiro, o tempo: 23 de abril é cedo para sair de lá. é capaz de ter neve no planalto no início. Quando eu fui, saí 5 de maio, não faz muito diferença... mas faz um pouco. No início caminhei com tempo de 12 graus. Eu sei que outros anos ainda nevou naquelas datas, nevar é incomum mas possível.

Segundo, o camino é bem mais pesado, muita subida e descida, bem mais do que na Espanha, especialmente nas primeiros duas semanas na França.

Terceiro, o bom é que tem bem menos gente caminhando do que na Espanha, muito menos. Isso é bom porque assim é comum encontrar as mesmas pessoas nas Gites d'Etappes aonde voce dorme, e logo conhece todo mundo. Porque tem menos gente também tem uma infra menor. Menos lugares para dormir e é mais caro do que na Espanha.

Seria bom se voce comprasse uma guia do caminho. A sinalização também é um pouco menos óbvia, e serve para você saber aonde tem lugares para dormir, mercado e padeiro, aonde pode tirar dinheiro etc.

Tem livrinhos em Francês sobre o GR 65 (Grand Randonnée), é assim que o camino se chama na França, ou "Le chemin Saint Jacques". Também existem em Inglês , não sei se tem em Português.

Também ajuda falar pelo menos um Francês básico, o resto você aprende lá.

O caminho na França é muito legal, bem diferente do que na Espanha e realmente vale muito à pena, você vai caminhar muito mais na natureza sobre trilhas pequenas. Tem muita gente que dedica a sua vida em ajudar "les pelerins" o que toca o coração.

Sobre a segurança, lá é muito seguro, não se preocupe. É importante ter dinheiro vivo com você porque nas cidades pequenas que você vai passar o cartão de credito regularmente é inútil.

Que bom que você vai, tudo de bom pra voce lá. Se tiver mais perguntas me mande um recado.

Ultreia,

Koen Veerman "


Escrito por Ricardo às 18h25
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Etapas Via Podiensis

01. Le Puy-en-Velay a Saint-Privat-d’Allier: 23 Km

02. Saint-Privat-d’Allier a Saugues: 18 Km

03. Saugues a St.Alban-sur-Limagnole: 31,5 Km

04. St.Alban-sur-Limagnole a Quatre-Chemins:25,5 Km

05. Quatre-Chemins a St.Chélly-d’Aubrac: 33 Km

06. St.Chélly-d’Aubrac a Espalion: 22 Km

07. Espalion a Golinhac: 27 Km

08. Golinhac a Conques: 21 Km

09. Conques a Livinhac-le-Haut: 24 Km

10. Livinhac-le-Haut a La Cassagnole: 29 Km

11. La Cassagnole a Cajarc: 26 Km

12. Cajarc a La Plane: 25 Km

13. La Plane a Cahors: 31 Km

14. Cahors a Lascabanes: 23 Km

15. Lascabanes a Lauzerte: 23 Km

16. Lauzerte a Moissac: 25 Km

17. Moissac a Avillar: 25 Km

18. Avillar a Lectoure: 33 Km

19. Lectoure a Condom: 35 Km

20. Condom a Eauze: 33 Km

21. Eauze a Nogaro: 22 Km

22. Nogaro a Aire-sur-l’Adour: 28 Km

23. Aire-sur-l’Adour a Arzacq: 33 Km

24. Arzacq a Pomps: 19,5 Km

25. Pomps a Sauvelade: 26,5 Km

26. Sauvelade a Aroue: 31 Km

27. Aroue a Ostabat: 22,5 Km

28. Ostabat a St.Jean Pied-de-Port: 21 Km

 

Distância Total Le Puy a SJPP: 736,5 Km



Escrito por Ricardo às 18h25
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Imagem

Conques, Vía Podiensis



Escrito por Ricardo às 18h24
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O que é a Via Podiensis?

Em primeiro lugar, a Vía Podense, Podiense ou Podiensis é uma das quatro vias principais de acesso dos peregrinos medievais franceses a Santiago de Compostela pelos Pireneus. As outras são a Via Tolosana (Arles - Montpellier - Toulouse - Somport - Jaca), a Vi Lemovicense (Vezelay - Limoges - Roncesvalles), a Vi Turonense (Paris - Tours - Poitiers - Burdeos - Roncesvalles). Salvo a Lemovicense, todas elas parecem estar hoje adequadamente sinalizadas pelas Associações Francesas de Amigos do Caminho de Santiago e pela FFRP (Federation Française de la Randonnee Pedestre, Federação Francesa de Senderismo). A Via Podense constitue a GR-65, caminho muito frequentado (Grande Randonnee) nº 65. A Via Podense, também chamada Ruta de los Borgoñones y de los Teutones, parte da cidade de Le Puy-en-Velay e entra na Espanha por Roncesvalles, depois de haver confluído com as Vias Lemovicense e Turonense no País Basco-Francês (supõe-se que no povoamento de Gibraltar, entre St. Palais y Ostabat, e assim o comemora uma estrela colocada ali pelos Amigos do Caminho de Santiago da França).

Aparte isto, a Via Podiensis foi, historicamente, a primeira via francesa de peregrinação a Compostela, desde que Godesalco (Godescalc), bispo de Le Puy, partira até a suposta tumba do apóstolo, no ano de 950. A folha mais conhecida desta primeira peregrinação quiçá seja a lenda que deu o nome à Fuente de la Reniega e ao Alto del Perdón, entre Pamplona e Puente de la Reina. Uma história que dá conta, uma vez mais, da vitória da fé em Deus frente ao desânimo e as tentações do Diabo.

Uma peculiaridade de interesse nesta rota jacobea é o frequente engano, trocando-se a figura de São Tiago Peregrino pela de São Roque, um santo francês de grande devoção nestas terras, e cuja iconografia é muito similar ao do próprio apóstolo, com os adicionais do cachorro que sempre o acompanha e do joelho descoberto. Entre seus memoráveis méritos estão  a cura a numerosas pessoas atacadas pela peste ao final da Idade Média, até que o mesmo contraiu a enfermidade. Depois de refugiar-se em um bosque ganhou o afeto de um cão que lhe provia com os alimentos que furtava.

Outro fato interessante é que Le Puy também tem seu Anos Santos, o que ocorre nas raras vezes em que a Anunciação (25 de Março) coincide com a Sexta-feira Santa... como aconteceu em 2005.

Traduzido de www.godesalco.com



Escrito por Ricardo às 12h53
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Le Puy-en-Velay, Ponto de Partida



Escrito por Ricardo às 12h52
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E Vamos de Novo!!!

O Caminho de Santiago é algo impressionante pela sua magia, pela sua força e pelo que acaba representando em nossas Vidas.

Quem já andou por lá sabe (e quem não andou imagina) o que significa este quebrar de incontáveis correntes que nos prendem no dia-a-dia e mergulhar neste sonho que se transforma em doce realidade e que nos leva a uma vitória indescritível.

É realmente impressionante, e não é só o vencer dos 800 quilômetros a pé. Não. É muito mais o conhecer, ajustar e o aproveitar do nosso corpo que nos conduz a tantos lugares. É muito mais o conviver conosco mesmos, frente-a-frente com os nossos medos, com as nossas limitações, vendo de frente como não valem nada as nossas vaidades, orgulhos e principalmente perceber com clareza a fragilidade dos nossos paradigmas e preconceitos ante a inevitabilidade da morte. É o enfrentar-se a si mesmo e perder muitas vezes, mas sempre sair vencedor.

Saímos do Caminho de Santiago e novamente mergulhamos no trabalho, na família, nos prazeres e dissabores da Vida...

Mas vai chegando o fim do ano, e não adianta... vem a inquietação, aquela vontade do quero mais, aquele sentimento do "acho que posso".

Ainda não tenho todos os euros necessários, mas a passagem está comprada. Agora nem adiantam outras conversas... já comecei a correr para o salto.

Desta vez o desafio soa muito interessante: Via Podiensis, o Caminho entre Le Puy-en-Velay e St Jean Pied-de-Port. Caminhar apenas na França os 736 quilômetros que me levarão ao ponto de partida de todos os meus Caminhos, aos pés dos Pireneus.

As coisas para levar já estão mais ou menos preparadas. Fisicamente sinto-me bem apesar da pouca preparação. Tenho a confiança de que a preparação ao primeiro Caminho (2005, sucesso total) ensinou-me a caminhar.

Faltam dois meses para o embarque. Com um friozinho gostoso na barriga eu penso "Ultreya e Suseya!!!", palavras peregrinas de saudação que se traduzem como "para a frente e para o alto". Vamos lá!!!



Escrito por Ricardo às 10h26
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Encerrando a Vía de La Plata

Com esta publicação encerro esta etapa que me permitiu conhecer a Vía de La Plata e me conduziu novamente ao Caminho Francês, esta maravilha tão transitada por peregrinos do mundo inteiro.

O caminhar de 800 quilômetros que me parecia tão impossível em 2004, hoje tornou-se um passeio tão maravilhoso que me faz esforçar-me e vencer barreiras para ir de novo. Quem vai uma vez sabe os obstáculos que têm que ser vencidos, diferentes para cada pessoa mas que, ao serem vencidos geram algo assim como um nascimento de algo novo (e forte): uma mistura de vitória com a sensação de valorizar-se o indivíduo que somos, tão perdidos que estamos nas responsabilidades, cobranças, culpas, medos... Estes nos enredam e nos fazem conceder tempo a tudo e a todos em detrimento a nós mesmos.

E olhe que não é fácil mesmo convivermos esses 29 dias com os nossos pensamentos. O dia-a-dia nos distrai sempre, e tudo nos faz olhar para fora. O estar sozinho, este calar nos diz tanto...

O fato é que é bom, MUITO BOM MESMO. Agradeço muito aos que colaboraram até aqui, com palavras ou apenas a torcida.

Aos que se preparam para ir, fiquem tranquilos. Claro que é necessária a preparação, o observar da nossa máquina para fazer ajustes, mas não adianta a preocupação. A coisa acontece quando tem que ser.

Um grande e fraterno abraço, Ultreya e Suseya!



Escrito por Ricardo às 23h00
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[ Na coluna da esquerda, abaixo do texto de apresentação encontra-se o HISTÓRICO, que permite acessar todas as publicações na ordem das datas. As publicações de 2005 correspondem ao Caminho Francês, as de 2006 ao Caminho do Norte e Primitivo, as de 2007 à Vía de La Plata e as de 2008 à Via Podiensis.

As caixas de publicações devem ser lidas sempre de baixo para cima.
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