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Ricardo Röver Machado, Corsan, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: ricrover@gmail.com
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Seja Muito Bem Vindo(a)! Para mim é realmente um grande prazer receber a tua visita neste Blog que registra momentos importantíssimos da minha Vida. Este Blog foi inicialmente idealizado para ser o meu diário de peregrinação no Caminho Francês em 2005,para que as pessoas amigas e familiares soubessem como tudo estava transcorrendo, e onde eu pudesse colocar quase em tempo real as minhas impressões compartilhando as maravilhas deste desafio-aventura-busca. Esta idéia evoluiu de maneira totalmente inesperada e temos o Blog como se apresenta hoje, quase uma revista, registrando também o meu Caminho do Norte (da Costa e Primitivo) de 2006, a Vía de La Plata de 2007 e agora a Via Podiensis. Desde a sua primeira publicação este Blog mostrou-se uma ferramenta importantíssima. Nas etapas de Preparação aos Caminhos já feitos, permitiu-me escrever muitas coisas que estudei, publicar lendas, curiosidades, dicas, e transmitir em alguns textos muito do que senti nestes momentos tão importantes.
E enquanto eu percorria o Caminho de Santiago em 2005, 2006 e 2007, serviu como meio de comunicação direta, e também como forma de ganhar força... Foi um instrumento de interação e interligação on-line que permitiu a todos ficarem sabendo o que vinha acontecendo, o que eu percebia, sentia... uma verdadeira maravilha que me agregou oportunidades e conhecimentos, fazendo-me muito bem. A vocês que chegam por aqui, convido, de coração, a compartilhar também de tudo isso. Este Blog foi feito para ser saboreado aos poucos em cada publicação, e também reúne outras "atrações": Aqui vamos encontrar o Mapa do Caminho, Câmeras ao Vivo, Previsão do Tempo em cidades estratégicas, Download de Livros e atalhos para outros sites muito bons mesmo.
Fique bem à vontade para participar, agora nesta nova aventura pela Via Podiensis, fazendo Le Puy a St Jean Pied-de-Port!
INSTRUÇÕES: Para melhor aproveitar o Blog é interessante saber: Na coluna à direita, aqui ao lado, encontramos as informações mais recentes publicadas. As publicações de 2005 são referentes ao Caminho Francês e as de 2006, sobre o Caminho da Costa e Primitivo.As publicações de 2007 referem-se à Vía de La Plata e as de 2008,da Via Podiensis. Para ler na ordem cronológica, movimente a barra de rolagem e leia o Blog de baixo para cima. Para ler TODAS as informações já publicadas, clique nas datas correspondentes do HISTÓRICO que aparece logo abaixo deste texto. E mais abaixo, depois de algumas imagens, são encontrados os links de sites relacionados ao Caminho de Santiago e banners que direcionam a Câmeras ao Vivo, Mapa do Caminho, Meteorologia e muito mais. ........ Fique totalmente à vontade, aproveite. Convido-te a participar com comentários, deixando as suas impressões e mesmo fazendo perguntas, que com certeza serão muito importantes a todos que chegam por aqui". Bom
Proveito e Volte Sempre! Ricardo Röver Machado
A seguir,links para as publicações mês a mês. Ao abri-las, leia sempre de baixo para cima para acompanhar a cronologia:
Histórico
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/06/2006 a 30/06/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/07/2005 a 31/07/2005
01/06/2005 a 30/06/2005
01/05/2005 a 31/05/2005
01/04/2005 a 30/04/2005
01/03/2005 a 31/03/2005
01/02/2005 a 28/02/2005
01/01/2005 a 31/01/2005
Vista dos Pirineus
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França: Meteorologia
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Outros Caminhos

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 Amigos del Camino Vía de la Plata

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Dia 5/05/2008, Domingo – Cahors a Montcuq: 31,8 Km
8h20 – Escrevo caminhando, após uma subida de matar na saída de Cahors. Apenas as meias grossas não secaram e as trago penduradas na mochila. Ontem, apesar de não ter janta no albergue, foi ótimo: pizza em um restaurante, sentados em mesinhas na calçada. Maravilha mesmo. O albergue é uma coisa, caindo aos pedaços (Auberge de Jeunesse Frederic Suisse), mas deu para dormir bem. Começou a chover. Paro de escrever.
22h30 – Vou sentir falta dos franceses. Gentis, amigáveis, auxiliam muito na compreensão do seu idioma... e que comidas!!! Pato caramelado e tantas outras coisas boas! O Caminho foi cansativo, chuva e chuva, mochila pesada, um barro-sabão que torna tudo mais difícil, mas o gîte é estupendo aqui em Montcuq. A bolha do pé está péssima. O bicho, acho que é um espinho. Decidi não estourar a bolha. Vamos ver no que dá. As costas doem um pouco. Tenho feito alongamentos, e acho que ajuda muito. Hoje estourou uma lata de refrigerante e molhou toda a capa da mochila. Deu uma mão-de-obra danada, mas lavei ela toda e sequei com as meias. Co chuva é tudo mais difícil... atividades como juntar o bastão ou o botar/tirar a capa são muito doloridas, mas tudo bem. Que Caminho difícil este. Bem mais difícil que os outros... O nome da cidade, Montcuq, para quem o lê em Francês sugere uma piada, e não é raro encontramos encontrarmos um postal com o nome da cidade adornado por uma bela senhora em trajes de banho vista de costas... Não vou explicar.

Dia 6/05/2008, Segunda-Feira – Montcuq a Durfort-Lacapelette: 26,8 Km
Café da manhã ótimo, clima de festa. Aos poucos fmos saindo e eram já 8h20 quando pegamos o Caminho. Um chuvisco bem fraquinho fez tomar a decisão certa de ir já de bermuda, mangas curtas, e já sem capa. As roupas lavadas na véspera, todas molhadas, estão em um saco plástico ao lado da mochila. Tudo bem. Mais uma vez enfrentamosum Caminho difícil, com um barro-sabão tornando quase impossível não cair nas lombas fortíssimas. Caí. Mas o meu tombo não foi pelo barro. Em uma pequena perdida, as minhas duas pernas encostaram em uma cerca elétrica e veio uma onda de choque fortíssima... talvez por impulso do reflexo, sei lá, fui lançado para trás! Caí com a mochila para baixo, no barro! Fiquei um pouco no chão me recuperando, depois levantei (ajudado) e segui. A dona da fazenda não deve ter visto nada mas se aproximou para oferecer coisas para vender. Quase a mandei a m... mas estava ainda me recuperando. Interessante é que alguns quilômetros depois encontrei um outro peregrino e quando comentei do choque ele me disse que também tinha levado, no mesmo lugar, na mesma situação. Coisas do Caminho... O fato é que, com aquele barral, acabamos chegando a Lauzerte tarde, por volta das 13h30 e o supermercado só abria às 15h. Sabíamos que em Durfort-Lacapelette não teria nada aberto, e que amanhã é feriado (Pentecostes), então, esperar. Por sorte havia um bar perto.
Entramos no bar para comprar umas latas de Coca e acabamos fazendo um belo almoço (hoje não há comida no albergue). Depois, caminhar. Escolhemos fazer o trecho pela estrada que é mais rápido e mais seguro, fugindo do barro. Ainda assim, a chegada foi perto das 19h.O gîte é ótimo, numa fazenda, cozinha bem montada.
Depois daquele almoço tarde, a janta foi café, pão e sopa. Muito bom. Amanhã, uma jornada de 26 Km até Malause. As roupas estão secando em frente da estufa. As botas, completamente embarradas, também. Agora vou dar uma estudada no guia e dormir, com o dia ainda claro. Boa Noite!

Escrito por Ricardo às 09h58
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Dia 3/05/2008, Sexta-Feira – Cajarc a Varaire: 25,7 Km
Que perdida!!! O café foi cedo e, o sair do albergue às 7h30, um recorde...depois, cair numa armadilha. A GR-65 tem destas: é sinalizada para os dois lados. Simplesmente voltamos quase 1h por uma variante, seguindo as bandeirinhas, indo, seguros, na direção à La Cassagnole, de volta! Por sorte um casal conhecido que caminha de barraca e vinha por esta variante fez o alerta. Agora são 9h30, e novamente saímos de Cajarc. Já avisamos que vamos nos atrasar para o repas (lê-se repá, janta). Que bom ter encontrado o René e a Magali desmontando a sua barraca.
16h40 – Último trecho entre Limogne e Varaire. Dia quente, mangas curtas, bermudas, tranqüilidade total. A janta é às 19h30 e vamos chegar antes, com certeza. As costas doem um pouco e exigem fazer alongamentos de vez em quando. Nas mãos, umas rachadurazinhas doloridas exigem hidratante e há pouco apareceu uma bolha incômoda no calcanhar. Bandaid nela. Caminho agora sobre um asfaltinho, depois de uma boa parada em Limogne com direito a muita Coca-Cola e biscoito. Bastante água na mochila, agora é caminhar para chegar cedo e poder lavar umas roupinhas.
21h40 – Chegando de um passeio à village. A igreja estava fechada. A janta foi muito boa com sopa de pãos velhos, saladas, um prato ótimo com batatas e uma carne assada fatiada em tiras. Para completar uma bela torta de sobremesa. Come-se muito bem quando se tem a demi-pension (meia-pensão). Banho tomado, roupas secando, banheiro no quarto... agora, dormir.

Dia 4/05/2008, Sábado – Varaire a Cahors: 33,1 Km
10h30 – Escrevo caminhando sob as árvores, passarinhos a mil... eles gritam por aqui. Ontem vi um esquilo, hoje um cervo. Este trecho tem muita sombra e é horizontal, sem elevações. Na mochila, 1 litro de água, mais 1 litro de suco (2 Kg!), pão, tomate. Até o almoço vai ser este peso, mas eu estou bem, alongando os músculos das costas quando acho que devo. Há pouco tratei o meu pé. Em baixo dos dedos sempre fica uma pequena bolha, antes desta virar calo. Achei um ponto preto sob a pele... será um bicho de pé de novo??? Tive um no ano passado... vamos ficar de olho. No café haviam 6 ciclistas, coisa que sempre mexe muito comigo, pois gosto muito disso. Conversamos bastante sobre o assunto. Quem sabe...
17h40 – Ainda caminhando, cansado. Muitas paradas para descansar. 1 litro de água foi pouco. Por sorte conseguimos reabastecer no Caminho. Cahors não chega nunca. Acho que faltam uns 5 Km ainda, quase 2 h. Nada no horizonte. Caminhar.
18h20 – Aparece a cidade, finalmente, e grande. Agora, descer bastante. Não sei se vai dar para lavar roupas.

Escrito por Ricardo às 09h58
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Dia 1°/05/2008, Quarta-Feira - Livignac-le-Haut a La Cassagnole: 31,3 Km
10h20 – Já no plano, após uma subida danada. Décimo dia de caminhada, a saída foi tardíssimo dada a necessidade de reservar os gîtes das próximas etapas. E foi brabo, pois um dos gîtes previstos estava completo, o que obrigou-nos a fazer modificações na programação e caminhar bem mais em uma das futuras etapas. O avanço provavelmente proporcionará fazer St Jean Pied-de-Port a Roncesvalles, o que parece interessante para uma belíssima última etapa nos Pirineus... Agora, caminhar. Céu azul, Cuco ao fundo, outros passarinhos em sinfonia, flores amarelas e vacas, muitas vacas neste trecho que também é chamado “rota do leite”, ou La Route Du Lait.
13h30 – Almoço já feito com pão, sardinha, tomate, mostarda e sobremesa com banna e chocolate com passas. Caminho bonito. Sol.
18h30 – Ainda caminhando a La Cassagnole. Cansaço, dor nas costas. De Saint Felix avisamos que íamos chegar atrasados ao Repas (janta). Tudo bem, vamos lá!
21h20 – Indo dormir. A chegada no gîte foi às 20h e fomos acolhidos muito fraternamente, com muita festa. Afinal, 80% eram conhecidos. Todos estavm jantando, mas as nossas porções estavam reservadas. Tudo tranqüilo, banho tomado, roupa não lavada pois não deu tempo mesmo. Amanhã, a última cueca limpa, mas nunca precisei repetir, não vai ser desta vez. A jornada foi comprida, mais de 30 km. Agora vou estudar as próximas etapas para dar um jeito de ir a Roncevaux (Roncesvalles).

Dia 2/05/2008, Quinta-Feira - La Cassagnole a Cajarc: 25,6 Km
O dia foi tranqüilo, mas cansativo. O Petit-Dejauner (café da manhã) foi ótimo, cheio de fisionomias conhecidas. Muito falar em Francês. Dia bonito, sem muitas elevações a subir ou descer. Nota-se claramente a mudança de cenários, agora mais árido, parecido com a Via de La Plata (Caminho de Santiago Sul-Norte, Mérida-Astorga-Santiago, feito em 2007). A ausência total de bares nas villages obrigou a pedir água em uma casa onde uma francesa velha de muita má vontade nos serviu. Um só bar garantiu o sanduíche do almoço neste Caminho de pouca água e pouca comida. Mas a chegada foi cedo, às 16h30, com o sol alto no céu. Toda a roupa foi lavada e secou. A janta foi feita no albergue mesmo com base em um prato congelado com massa, molho e carne de coelho que custou só 3,94 euros e que foi assado no microondas. Depois, café com leite. Às 20h30 teve uma apresentação de corais na catedral, e foi uma maravilha. Estou chegando agora, 23h e me preparo para dormir.

Escrito por Ricardo às 09h58
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Diário
Dia 28/04/2008, domingo - Espalion a Massip: 24,6 Km
Chuva o dia inteiro. Dia incrivelmente cansativo pelos sobe e desce intermináveis. Na verdade as subidas foram tão longas e extenuantes que nem me lembro das descidas... subidas longas mesmo com esta mochila tão pesada que causa um cansaço muito grande. Na chuva então, caminha-se curvo, olhando apenas 1 metro à frente, no “buraco do boné”, a passos de formiguinha, cravando o cajado no chão conformadamente. Nesta etapa ainda teve de tudo: barro-sabão em uma rampa de 60 graus, pedras escorregadias, atoleiros e asfalto. Foi um cansaço de “perder a dignidade” onde não se podia parar porque chovia muito e não haviam abrigos... para ter idéia o almoço foi feito em pé, em baixo de chuvisco, após subir uma rampa forte de pedras que chegou no asfalto. Ali, no chuvisqueiro, na lomba de asfalto as mochilas foram descidas e comeu-se pão com Coca-Cola na total impossibilidade de pegar o tomate, a mostarda e o atum que estão ainda na mochila.
Dia comprido, difícil, onde aparecia o Cuco de vez em quando adivinhando, quem sabe, o tempo bom.
Dia complicado em que não consegui telefonar para o Brasil que tanto eu queria. Dia em que chegamos ao gîte com as botas molhadas e a jaqueta impermeável toda molhada (na saída havia vestido a calça impermeável sem a outra por baixo, a camiseta e a jaqueta impermeável – parkha- e em cima dela, a capa).
O gîte L’Orée du Chemin em Massip, 2 Km antes de Golinhac é ótimo: o quarto tem banheiro e a comida, excelente, e o café, ótimo. Tudo novinho, limpo e bem cuidado e com aquecimento. Um verdadeiro oásis. Lavei toda a roupa: camisetas, cuecas, meias, boné. Tudo secou.

Dia 29/04/2008, Segunda-Feira - Massip a Conques: 22,8 Km
9h30 – Já passei por Golinhac. Estou escrevendo enquanto caminho. Gosto disso. Não está chovendo mas têm nuvens escuras em cima. Um friozinho serrano aqui a 630 metros de altitude, a mesma altitude de Canela/RS. Quase torci o pé. Paro de escrever.
10h10 – Trilha mais tranqüila, indo a Espeyrac. Sol. Mantimentos já “em cima”, literalmente. Não resisti e comprei 1 litro de suco a 60 centavos de Euro. A Coca em lata era 90. As costas doem, mas tudo bem. Estou no maravilhoso Caminho de Santiago mais uma vez, desfrutando dos prazeres que transcendem em muito as adversidades. Me queixo às vezes, mas é tão bom... me lembrei da história da amante paraguaia, aquela que nos faz de gato e sapato, mas continuamos sempre apaixonados e a querendo de novo...rs
22h – A etapa foi muito tranqüila. Conques é uma cidade medieval, toda preservada, belíssima. Ainda não consegui o cartão telefônico internacional, necessário para telefonar ao Brasil. O albergue, na abadia Sainte-Foy tem uma acolhida muito fraternal. A janta foi ótima e todos comemos muito em um grupo de mais ou menos 60 pessoas. Apesar da etapa ter sido leve em comparação às outras sinto dor nas costas, mas tudo bem, são coisas do Caminho. Agora, dormir.

Dia 30/04/2008, Terça-Feira - Conques a Livignac-le-Haut: 25,8 Km
21h50 – Escrevo no gîte de Livignac, depois de uma etapa na chuva e muito cansativa desde Conques com subidas fortíssimas e atoleiros de barro. A noite anterior foi terrível. A dor nas costas quase me matou, fazendo-me acordar a cada 20 minutos (depois de tomar um analgésico me acordava a cada hora). Cheguei a pensar em tirar um “day-off” (dia sem caminhar) em Conques, mas já estão feitas as reservas das próximas etapas até o dia 3/05, feriadão. Ajustei a mochila para descarregar tudo na cintura, sem apoiar nada nas costas e deu certo. O Caminho foi duro, mas as costas não doeram nunca (estão doendo agora, as danadas). O gîte é numa casa de família onde a dona é uma francesa mandona. Ninguém gostou dela por aqui. A janta foi com sopinhas trazidas do Brasil, ainda remanescentes (tenho só para mais uma vez) e pão. Dia cansativo. Caminhar na chuva e enfrentar
calor com muita roupa e frio com pouca roupa no contínuo coloca-e-tira dos casacoe e capa. Não é fácil, mas pensar que isso são coisas daqui, do Caminho de Santiago, é bom. Vou dormir.

Escrito por Ricardo às 09h57
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Vídeo
Abaixo um link para um vídeo imperdível para quem quer conhecer um pouco (Le Puy-Conques) da Via Podiensis, cortesia da peregrina Jurema Miguel. Aqui no Blog desde 2005 temos um atalho para o álbum de fotos da Jurema no setor "Outros Sites", abaixo da foto da Catedral.
O Link para o vídeo é :
http://cjmker.free.fr/realites/sur-le-chemin.wmv
Muito Obrigado, Jurema. Valeu mesmo!
Escrito por Ricardo às 15h45
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A Canção do Peregrino
Ultreïa ! Ultreïa ! E sus eia Deus adjuva nos !
Tous les matins nous prenons le chemin, Tous les matins nous allons plus loin. Jour après jour, la route nous appelle, C’est la voix de Compostelle.
Ultreïa ! Ultreïa ! E sus eia Deus adjuva nos !
Chemin de terre et chemin de Foi, Voie millénaire de l’Europe, La voie lactée de Charlemagne, C’est le chemin de tous mes jacquets.
Ultreïa ! Ultreïa ! E sus eia Deus adjuva nos !
Et tout là-bas au bout du continent, Messire Jacques nous attend, Depuis toujours son sourire fixe, Le soleil qui meurt au Finistère.
Ultreïa ! Ultreïa ! E sus eia Deus adjuva nos !
Paroles et musique Jean-Claude Benazet
Quem quiser ter uma idéia de como é a música, achei um vídeo meio danado no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=xhW5orZIe4w
Escrito por Ricardo às 20h03
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Peregrinos entre Le Puy e St Privat em um Caminho belíssimo, ainda castigado pela neve.
Escrito por Ricardo às 19h51
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Estudar Francês
Para o Caminho Francês na Espanha, lançar-se apenas com o nosso português dá para o gasto... mas é claro que é importante falarmos outras línguas se quisermos nos comunicar com peregrinos de outras partes do mundo. Para caminhar na França, porém, apenas o falar Inglês pode complicar às vezes, principalmente pela necessidade de fazermos reservas por telefone. Eu mesmo ajudei um casal de japoneses nessa tarefa e olhe que estavam em dificuldades, pois os hospitaleiros não falavam Inglês...
No sentido de ajudar a quem queira aventurar-se pelos caminhos franceses, alcanço um endereço eletrônico bem interessante, colaboração da peregrina Jurema Miguel que já se ensaia a regressar às Rotas Jacobeas, quem sabe em solo francês já desta vez.
O endereço é http://avangardix.ueuo.com/
Muito Obrigado, Jurema. E Buen Camino!
Escrito por Ricardo às 21h07
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Resposta ao Slal
Respondo em destaque os questionamentos do Slal, que podem ser úteis aos demais peregrinos que estudam se aventurar em solo Francês.
Pergunta:
""...recebidos com xixi pela dona do gîte que fechava..." Xixi é alguma coisa que não seja urina?...rsss,Por favor, seria possível vc comentar o preço destas estalagens?(gites) Tem um preço médio por dia em França,na despesa de manutenção e pouso? Quando menciona caminho pesado são subidas com aclives maiores de 30graus?Mui extensos?Fez sua própria comida em algum albergue?Encontra-se mercados ou produtos,comida, facilmente nas vilas? são caros?...farei este caminho no próximo ano e gostaria que, por favor, me informasse estes detalhes que te pergunto. Se quiser use meu endereço de email.Mui grato. Abç Slal Stevan | slalstevan@...| São Paulo - SP | 05/07/2008 12:43"
Respostas:
1. Desculpem ter escrito "xixi" assim, desavisadamente. Não sabia que era uma expressão regional. Por aqui pelo Sul significa uma descompostura, quase um xingamento;
2. Sobre os preços das estalagens: A dica mais quente é acessar o site http://www.chemins-compostelle.com/ e clicar no Link "Demande de Documentation". Eles muito gentilmente encaminham um conjunto belíssimo de informações que incluem uma lista de albergues muito boa. Esta lista serve bem para fazermos a programação, mas ainda assim devemos comprar por lá um guia atualizado. Para terem uma idéia de preços, informamos: Existem os albergues religiosos que são por donativos, paga-se o que quer e recebemos janta e café da manhã. Depois existem os gîtes e chambres d'hôtes que tem características semelhantes: quando o quarto é coletivo, paga-se algo em torno de 7 a 10 euros por pessoa. Quando o quarto é privativo, de 10 a 16 euros por pessoa, algo assim. Nos gîtes às vezes tem as "coin cuisines" onde se pode cozinhar e/ou fazer o café da manhã sem pagar nada. Quando pagamos, o café da manhã fica em torno de 4 a 5 euros e o repas (janta) em torno de 12-16 euros. Cá entre nós, vale à pena pagar o repas, pois as comidas são mesmo muito boas. O meu orçamento diário ficou perto dos 35 euros por dia, pois alternaram-se naturalmente os pernoites com e sem repas.
3. Sobre o "Caminho Pesado"... é pesado mesmo. Entre Le Puy e Conques as descidas e subidas são de matar. Nos demais trechos, mesmo com perfis mais favoráveis, as distâncias matam. Eu emagreci desta vez uns 4 quilos, diferente dos outros caminhos (menos o do Norte, difícil também), onde cheguei a engordar 3 Kg...
4. Sim. Fiz comida em vários albergues, normalmente massa com alguma coisa ou comida congelada comprada em supermercados ou vendas. São caras as comidas por lá sim. Tem que escolher bastante e nunca, NUNCA fazer a conversão para Reais.
Por favor, fiquem à vontade para perguntar.
Buon Chemin!
Escrito por Ricardo às 17h16
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Dia 27/04/2008, domingo – Saint-Chély-d’Aubrac a Espalion: 23,7 Km
9h30 – Caminhando agora sobre milhares de folhas secas numa floresta magnífica, ao som de pequenas cachoeiras. À minha volta, neste ambiente mágico, os passarinhos dão um verdadeiro show. Tranqüilidade total, já com mantimentos na mochila e uma jornadinha de 23 Km pela frente. A noite foi tranqüila no gîte (albergue) apesar do calor forte gerado pelo aquecedor que somado ao fato do compartilhamento do quarto entre 4 pessoas (que não permitia o destapar-se) fez com que eu me acordasse várias vezes. O petit-déjeuner (café da manhã) foi magnífico, com os franceses sempre gentis em me ensinar a falar o seu idioma. Tudo muito bom. Agora, largo a caneta e pego o cajado para subir por esta bela trilha com pedras.
10h30 – Em marcha,ficando um pouco para trás do belo grupo de peregrinos com quem caminhava. Realmente parecem cenários de filmes estes bosques maravilhosos onde a natureza nos acolhe tão organicamente nos fazendo sentir naturalmente “em casa”.
17h20 – Ainda caminhando, entre Saint-Côme-D’Olt (São Cosme) e Espalion, e que Caminho bonito... Subida terrível, mas muito bonita mesmo.
19h – Chegada a Espalion. Subida terrível, descida pavorosa. Torci o pé (sem consequências desastrosas por causa da bota, com certeza) e o joelho direito está doendo. Uma nuvem preta está ao longe com relâmpagos e despejando água. Decido não parar para botar a capa... vamos ver no que dá.
21h50 – Preparando para dormir. Não choveu, mas no jornal diz que amanhã não escaparemos. A chegada foi às 19h30 e o gîte fechava às 18h... porta fechada. Parou um carro e um casal de idosos muito gentilmente nos informou o endereço de outro gîte. Na mesma hora apareceu um casal de peregrinos que perguntou se tínhamos reservas, e sendo a resposta afirmativa, abriram-nos a porta e fizeram contato pelo seu celular com o responsável pelo gîte. Estávamos dentro. Neste momento estou na cozinha/refeitório, cercado de franceses que sobem a escada, neste momento. As roupas estão todas lavadas e secando no aquecedor do banheiro. Um pouco de dor no pé direito, nada no joelho. As costas doem um pouco, o que exige um bom alongamento antes de dormir. A janta foi de sopinhas, ainda as trazidas do Brasil. Os gastos do dia foram os mantimentos do almoço (algo como uns 3 euros) e uma Coca-Cola de 2 euros. Os gîtes custam uns 30 euros quando é meia pensão (demi-pension: dormir-janta-café da manhã), mas este é só para dormir: 13 euros. Hoje fiz economia. Agora, descansar. Boa Noite.
Escrito por Ricardo às 17h16
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Dia 25/04/2008, sexta-feira - Le Rouget a Prinsuéjols: 33 Km
8h – Preparando para sair. Lá fora uma geada deixa esbranquiçada a vegetação verde. Melhor assim: vai a roupa toda no corpo e não pesa na mochila. O sono foi tranquilo, apesar do tapa-destapa ditado pelo desliga-liga do aquecedor. Estou bem, sem dores musculares. O café já foi tomado, muito bom. A janta de ontem foi muito boa também... estes gîtes que são em fazendas servem leite natural, chimias diversas feitas em casa e têm um muito bom atendimento. No Caminho, muitos franceses e alguns noruegueses, holandeses e alemães. O peregrino que vem para cá deve sim saber um pouco de Francês... mesmo que fique boiando muitas vezes nas conversas e misturando palavras em Inglês para ser entendido, vale à pena estudar. Também para reservar os gîtes das próximas noites pelo telefone, é fundamental.
22h – No gîte – A jornada de hoje foi de superlativos: belíssima e dificílima. A mochila continua muito pesada mas a passagem por bosques de pinus e o encantamento concedido pelos passarinhos (incluindo o Cuco) faz com que se cumprissem os quilômetros e quilômetros com alegria e tranquilidade. Hoje caminhamos mais do que o necessário. Existe um segredo para chegar-se certo ao gîte de Prinsuéjols: Não seguir a placa que diz “Prinsuéjols”. Isso mesmo. Se seguir, faz o mesmo que fizemos e caminham-se terríveis 5 Km adicionais pela “GR de Pays”. Não se pode seguir a placa. Tem que passar e ir a Les Quatre Chemins e então dobrar à esquerda, como diz no guia. Resultado: a chegada foi às 20h15, depois de mais de 12h de caminhada. E ainda por cima fomos recebidos "com xixi" pela dona do gîte que fechava às 18h e, sem a confirmação da reserva e a demora, não havia feito comida para nós. Mas no final, depois de uma conversa tudo ficou tranquilo. O quarto é bom, e a comida também foi.

Dia 26/04/2008, sábado – Prinsuéjols a Saint-Chély-d’Aubrac: 34,6 Km Sono tranquilo. Lavamos todas as roupas, incluindo as calças, e tudo secou no aquecedor que havia na ante-sala do banheiro. O café da manhã no gîte foi muito bom, com croissants e chimias feitas no local pela hospitaleira. Dona Cristina, filha de portugueses, estava hoje mais tranquila e inclusive nos emprestou a chave da igreja para visitarmos. Explicou-nos sobre as diversas construções em pedra do Século XII, sobre os costumes e também sobre os mortos da Primeira Guerra Mundial, que são muitos, em todas as villages visitadas. Agora são 8h50. A saída foi às 8h30 e escrevo caminhando sobre o asfalto. Um monte nevado nos acompanha à esquerda. Caminho sobre a route (estrada asfaltada) procurando a village de Finieyrols.
12h – Nasbinals. Caminho bonito, com algumas subidas fortes. Sem nada de comer na mochila, tenho a esperança de comprar o almoço por aqui.
13h – Saindo de Nasbinals... com guia e tudo uma bela perdida, mas tudo bem. Sacola cheia de comida na mão após uma bela Coca-Cola nesta petite village acolhedora onde as senhoras na Boulangerie (padaria) me ensinaram com muito boa vontade e entusiasmo a falar fatia (tranche... lê-se algo como trrrônche). Os franceses são mesmo gente muito boa.
21h15 – Já no gîte, após a janta, na frente do microcomputador estou passando as fotos para o pen-drive. O Caminho de hoje foi encantador com muitas trilhas em meio à floresta com uma riqueza muito grande de passarinhos e riachos em meio às árvores ainda brotando depois da neve. Uma marcha de mais de 30 Km sempre cansa um pouco, mas desta vez nem as solas dos pés me doem. Para evitar o stress, perto das 17h telefonamos ao gîte para dizer que chegaríamos mais tarde e assim evitarmos as desculpas ao hospitaleiro. Tudo bem. A chegada foi às 19h30 (estavam nos esperando para jantar) e depois de um banho rápido, descer para uma belíssima janta em uma mesa de muitos franceses, alemães e uma sul-africana. A faixa etária média passa bem dos 50 anos. Após passar estas fotos, vou abrir o email para mandar e receber notícias do Brasil. Depois, Dormir.

Escrito por Ricardo às 17h38
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Dia 24/04/2008, quinta-feira - Saugues a Le Rouget: 25,5 Km
A janta foi ótima, com uma couve-flor gratinada deliciosa, com ótimos acompanhamentos. Muito boas mesmo essas comidas daqui... Comemos muito mesmo, todos. A noite foi tranquila e o café da manhã, uma maravilha. A saída foi tarde, por volta das 9h. Mme Martins (que descobrimos ser casada com um português...então, seu sobrenome se pronuncia assim mesmo) indicou-nos o gîte de Le Rouget que abrevia um pouco a etapa sem alterar muito a posterior e são pessoas muito acolhedoras. Vamos ver. Na saída, já de posse de um cartão telefônico, fizemos diversas reservas para os gîtes dos pernoites seguintes. Interessante e diferente isso de reservar previamente, pois dá a impressão de engessar as etapas, mas ao mesmo tempo dá a segurança de poder caminhar devagar sabendo que vai haver uma came e banho quente esperando.
A jornada prometia ser mais tranqüila que a de ontem, sem tantos altos e baixos. E assim o foi. Belíssima, com muitas trilhas pelo mato e estradinhas.
A mochila continua horrivelmente pesada, ainda mais com o litro de suco que levei por mais de meia jornada. Na saída de Saugues havia a esperança de encontrar pão. Não havia, e nem no Caminho. Sem pão o almoço ficou por conta de um Nutry, banana e bananas secas (ainda remanescentes do Brasil)... e o litro de suco. Nem chocolate não havia. Neste Caminho quase não existem bares, muito menos padarias. Cada etapa tem que ser planejada para não faltar pão, água ou o que seja.
A chegada ao gîte foi às 18h30, depois de 9h30 de caminhada. Já lavei toda a roupa (de ontem e de hoje) e escrevo enquanto espero o banho no único banheiro. Este albergue é em uma fazenda que foi adaptada e as acomodações ficam sobre o estábulo. Apesar de soar estranho é bom, limpo e as pessoas que atendem são mesmo agradáveis.

Escrito por Ricardo às 08h05
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Começa o Diário
22/04/2008 - Le Puy-en-Velay a Saint-Privat-d'Allier: 23,9 Km
8h50 – Saindo de Le Puy, subindo. Me permito escrever caminhando. A chegada a Le Puy ontem foi de uma sincronia impressionante. Desde a saída a integração avião-trem ônibus foi perfeita, tanto que nem foi possível comprar cartão telefônico, necessário para fazer as reservas dos albergues (gîtes d’etapes) para os dias seguintes. Na chegada a sincronia não poderia ser diferente: um grupo de peregrinos que vinha no mesmo ônibus nos conduziu até um Gîte perfeito, que nem estava nas minhas anotações colhidas na internet: Gîte por donativo (paga-se quanto se acha justo), cama ótima, banho ótimo, café da manhã ótimo. Ao descer do ônibus fomos todos a um supermercado próximo, onde compramos o almoço para hoje.
Minha mochila está pesadíssima e o primeiro desafio foi vencer a Força da Gravidade para subir os degraus da Catedral e receber a Benção dos Peregrinos às 7h. A Força da Gravidade continua atuando forte e neste momento (9h) saímos da cidade por uma trilha. Faz frio, um pequeníssimo chuvisco se faz sentir no rosto, mas tem suor dentro das roupas. Tranquilidade total, passarinhos cantando a mil, agora, caminhar.
20h – A chegada ao albergue foi às 16h30 de um dia muito tranquilo. Esta primeira etapa foi um passeio. O albergue também é por donativo e, com as camas todas ocupadas, apenas um colchão no chão foi possível, mas tudo bem mesmo. A janta foi sopa e massa (trazidas do Brasil) e mais um tomate, uma maçã e quase um litro de leite. Agora escrevo, preparando-me para ir à internet ver se consigo algumas notícias do Brasil. Talvez nem consiga por causa da concorrência... Muito bonita a Via Podiensis neste trecho: muitas trilhas no meio das árvores, muitos passarinhos e casas de pedra. Muita tranquilidade mesmo. Agora, na rua, cai uma chuvinha. Amanhã, vamos ver.

Bela paisagem da primeira etapa
23/04/2008 - Saint-Privat-d’Allier a Saugues: 19,2 Km
19h – Já no gîte (que é como se chamam os albergues por aqui). Banho tomado, roupas lavadas, esperando a janta que é às 20h.
A etapa de hoje foi relativamente curta, mas demorou mais tempo que a de ontem. Foi uma etapa belíssima mas muito, muito pesada e que botou à prova tudo: a mochila (pesadíssima), os joelhos, os pés, as costas...
Na saída de St privat, a maior descida que eu já havia visto em todos os Caminhos: incrível, por entre pedras, no meio do mato... exigia um segurar constante em árvores e um caminhar pé-ante-pé. O cajado foi fundamental mesmo, e as botas também. Por mais de hora ficamos nesta descida impressionante e depois de um breve trecho, subir. Foram 10 Km de subida contínua, fortíssima. Até escada de toras tinha em um certo trecho para ajudar os peregrinos. Terrível, mas foi vencida. Foi mesmo um trecho de vitória, principalmente sobre a Lei da Gravidade, tão danada por aqui.
No final, chegamos todos bem e depois de procurar onde ficar (não havíamos feito reservas) foi-nos indicado o Gîte de Madame Martins (lê-se Martan) onde, a 30 euros (terrível, mas normal por aqui para o que se chama demi-pension) temos cama, banho, janta e café da manhã. Como já está tarde e o tempo meio nublado, adiei a lavação de roupas para amanhã. Acontece. Hoje, ao longo do dia, não choveu. Estava frio em muitos trechos, mas a subida exigiu mangas curtas... tanto pior, pois as roupas quentes que saíram sobrecarregaram ainda mais a mochila, já tão pesada.
No almoço chocolate (tínhamos a expectativa de chegar cedo, dada a quilometragem a percorrer), mas antes da janta comemos frutas secas e bananas. As compras para o meio-dia de amanhã (etapa de 31 Km) já estão feitas... mais peso a carregar. Agora, descer para jantar.

Escrito por Ricardo às 07h49
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Finalmente...
Finalmente inicio as publicações da Via Podiensis, depois de algum tempo de readaptação à diversas mudanças por aqui, principalmente em meu trabalho.
Percorrer a Vía Podiensis foi uma experiência maravilhosa e parece-me que faz um coroamento entre os demais Caminhos percorridos (Francês, do Norte/Primitivo e Vía de la Plata)... algo como um doutorado, coisa assim.
Começo agora a fazer a publicação do diário, de algumas fotos e muitas impressões. Com certeza as pessoas que se interessam em fazer este Caminho encontrarão muitas dicas e aos que são apenas interessados ou curiosos, com certeza aproveitarão também esta belíssima experiência de Vida.
E novamente convido os leitores do Blog a me acompanharem nesta aventura... neste verdadeiro desligamento das correrias do dia-a-dia e conexão a uma realidade tão diferente, em país diferente, língua e cultura diferente... Vamos lá!

Vista da Catedral de Le Puy, peregrinos partindo.
Escrito por Ricardo às 07h47
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Na Mochila
Agora, quase meia-noite da véspera da partida... neste momento terminei de fechar a mochila e relaciono abaixo as coisas que estou levando. Para a viagem reparti diferente do que vou fazer no Caminho: Preparei para despachar como bagagem um pacote colocando no interior da esterilha o cajado, os alimentos e outras coisas diversas: canivete, caneca, varal, etc... coisas que podem ser dispensáveis. Deixei todo o essencial bem espremido na mochila para levá-la como bagagem de mão. Coisas de gato escaldado que quase ficou sem toda a mochila no ano passado, perdida no trecho Buenos Aires-Paris e que só chegou na véspera da partida para o Caminho, quatro dias depois.
Mas vamos à lista:
Mochila da marca Deuter, 60+10 litros (antes levava uma de 45 litros que se detonou. Esta, maiorzinha vai com espaço sobrando, o que evita levar sacolinhas nas mãos...)
Pochete grande, da Trilhas e Rumos
Bastão de Caminhada, Telescópico
Saco de Dormir da Trilhas e Rumos, P/ 0ºC (600 g)
Botas Salomon ( aprox 800 Km "rodados". O primeiro par andou mais de 2.000 Km)
Esterilha - Isolante Termico
Laminado de Primeiros Socorros
Casaco Parkha da Trilhas e Rumos
Casaco de Fleece da Trilhas e Rumos
2 Calças-Bermuda
2 Camisetas Dry-Fit manga curta
1 Camiseta Dry-Fit manga comprida
3 Cuecas
1 Gorro-Gola de Fleece
Capa de Chuva (cobre a mochila) da Trilhas e Rumos
Calça Impermeável (fiz diversos furos para ventilar melhor)
Polainas da Quéchua (tipo tornozeleiras)
Blusão e Calça de abrigo bem leve e forrados (para depois do banho)
1 Sandália Pegada Extra-Soft
1 Boné tipo legionário, com abas cobrindo a nuca
1 Balaclave (gorro ninja que cobre a cabeça, só com o buraco dos olhos)
1 Par de Luvas de pele de Coelho (uma judiaria, mas são muito boas)
1 Par de luvas sem dedos
2 Pares de Meias grossas
2 Pares de Meias finas (vou usar 1 grossa e 1 fina em cada pé p/ evitar bolhas)
1 par de Meia sobressalente (meias normais)
2 Fraldas (leves e absorventes, vão servir de toalha)
8 Sacos Plásticos tipo Ziploc p/ congelamento grandes (27 x 28 cm)
6 Sacos Plásticos tipo Ziploc p/ congelamento médios (18 x 20 cm)
4 Sacos de Lixo 50 litros
Palmilha moldada à gesso (especial para os meus pés)
Palmilha de Silicone - Pé inteiro
Palmilha só p/ calcanhar, de Silicone (tem que ter muito conforto nos pés)
2 Joelheiras
Óculos oficial e reserva
Gaita de Boca
Relógio (muito a contragosto)
Lanterna pequena
Máquina Fotográfica (com cabos para conexão e do carregador, 1 Pen-Drive 2GB para armazenamento durante o Caminho e 2G + 512 MB de memória)
Extensor Elástico (1,5m - vai servir de varal, além de outras coisas)
Canivete
Isqueiro
Colher média
Caneca Inox
Tesourinha
Resistor para aquecimento 220V(Não vou chamar de rabo-quente porque pode pegar mal...)
4 Alfinetes de Fralda
4 Prendedores de Roupa
Agulha e Linha de costura
Protetor Solar
Pasta de Dente
Escova de Dente
Fio Dental
Desodorante
Sabão de Glicerina
Pó Granado
Hipoglós
Dorflex (p/ dores musculares)
Nimesulide (anti-inflamatório, receitado pelo ortopedista)
Novalgina
Band-Aids
Fita Micropore
Iodo
Papel Higiênico
Caderneta para anotação
Caneta
Folhas-Guia com informações necessárias
Passaporte com cópia xerox
Passagens com cópia xerox
Carteira de Identidade, com cópia xerox
Guia do Seguro Internacional do INSS
Seguro de Saúde 30.000 Euros
Voucher do Seguro do Cartão Visa Gold
Cartão de Crédito
Porta-Dólar (bolsinha que se leva por dentro da roupa)
Café solúvel (refil)
1 Chocolate e vários Nutrys
Cumpre-me novamente agradecer e elogiar ao pessoal da Sapesca, do Conjunto Comercial Canoas, onde comprei vários ítens, como sempre muito bem atendido.
Ultreya e Suseya!
Escrito por Ricardo às 23h52
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Faltam Dez Dias
Faltam hoje 10 dias para o embarque e quero registrar por aqui a sensação interessante de novamente aproximar-se a hora da partida.
Aos poucos os procedimentos vão-se finalizando, não apenas da reunião e compra de coisas, como também das reuniões familiares e acertos finais para a ausência prolongada.
Várias coisas ainda estão pendentes e algumas vão ficar, mas é assim mesmo.
Algo que escrevi por aqui me vem à mente, que é a semelhança de ir ao Caminho com a morte... e me vem a tranqüilidade de saber que mesmo sem a nossa presença a “vida normal” continua e os problemas são resolvidos sim, às vezes até melhor do que seriam com a nossa participação.
Aproxima-se o entrar na Sala de Embarque que me leva para fora deste mundo em que gosto tanto de viver e me leva para outros cenários pertencentes a outra cultura, onde falam outras línguas... sempre acho análogo ao sistema morte-nascimento, mas com a vantagem presumida de poder voltar!
E a volta é interessante, mais ou menos como cair de uma espaçonave: não se sabe o que aconteceu na política, na economia, na família, no trabalho, Inter, Grêmio...
É o retornar ao mundo, como quem acorda 40 dias depois, incrivelmente bem, como no despertar de um sonho maravilhoso... Ainda agora me emociono com a lembrança três vezes vivida de chegar em casa e ver um monte de frutas... Nossa! Quem já fez o Caminho sabe como é...
Mas isso é a volta do sonho. Agora, preparo-me para ir, louco para botar a mochila nas costas e sair, mesmo sabendo que sentirei a falta dos que amo.
Abaixo, para conhecimento de todos, algo da lista final de providências:
- Carteira de Alberguista (Albergue da Juventude www.hihostals.com);
- Seguro INSS, Convênio Internacional;
- Seguro Internacional de 30.000 Euros;
- Seguro do Cartão de Crédito Visa Gold;
- Credencial do Peregrino, da Assoc. Amigos do C. Santiago;
- Cartão adicional para a máquina fotográfica;
- Estadia no local de chegada;
- Passagem aérea interna www.easyjet.com
- Mantimentos, roupas faltantes, coisas de farmácia, costura, etc...
Escrito por Ricardo às 21h38
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Conques


Conques é situada na afluência dos rios de Dourdou e de Ouche. Construída em uma costa de montanha e com as ruas medievais estreitas clássicas, os seus veículos, à exceção daqueles que pertencem aos residentes, não podem transitar no centro de cidade historica e devem estacionar fora.
A cidade foi construída em sua maior parte no Século XIX, e conservada pelos esforços de um número pequeno de moradores dedicados. Em conseqüência, o núcleo historico da cidade tem poucas edificações que datam entre de 1800 e de 1950, deixando-se as estruturas medievais notavelmente intactas.
As suas estradas foram pavimentadas, e modernos equipamentos de infraestrutura de serviço público são enterradas.
A abadia-igreja de Sainte-Foy em Conques foi uma parada muito popular para peregrinos medievais em seu Caminho a Santiago de Compostela, como o é agora na Espanha. Sua construção foi começada nas fundações de uma basílica, dirigida pelo abade Odolric (1031-1065) e terminada em torno do ano 1120. Foi construída no estilo de Romanesque, usando pedra calcária local. A abóbada grande que a cobriu originalmente desmoronou e foi substituída no século XV.
Conques, na França, pertence à Região Midi-Pyrénées, e tem 302 habitantes. Encontra-se no final de minha oitava etapa da Via Podiensis, o Caminho de Lê Puy.
Escrito por Ricardo às 18h27
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A orientação na Via Podiensis
(Le Balisage et la Signalétique)
O Caminho de Santiago de Compostela é reconhecido como "Grande Itinerário Cultural" pelo Conselho da Europa. A esse respeito, uma identidade visual com logotipia específica, identificando itinerários compostelanos, foi concebida para sinalizar cada trecho. No entanto, sobre o Caminho estas marcações não são instauradas de maneira sistemática.
Alguns trechos do Caminho de Santiago fazem parte das chamadas Grande Randonnée (GR®) e utilizam as sinalizações vermelho e branco da Federação Francesa de Randonneur (FFR), às vezes combinada com a sinalização européia.
De acordo com os territórios atravessados, diferentes sinaléticas guiarão os peregrinos à Compostela.
A Sinalização dos Caminhos
O Itinerário Cultural do Conselho da Europa

É o identificador europeu dos Caminhos a Santiago de Compostela (concha estilizada amarela sobre fundo azul). Esta sinalização européia é corrente na Espanha e está progressivamente sendo implantada na França e em outros países (Suíça, Bélgica...). Pode ser utilizada igualmente em meio urbano ou rural sob a forma de elementos de bronze, de cerâmicas, de etiquetas, de gravura... Atenção: este logotipo estritamente demarcador da presença do Caminho. Como indicador de direção exige máxima atenção, pois pode inverter-se completamente (exemplos espanhóis: na Astúrias a figura acima indica à esquerda e na Galícia à direita). Ver advertência abaixo.
Os caminhos de Grande Randonnée (GR®)

São sinalizados conforme o padrão estabelecido pela Federação Francesa de
Randonneur (FFR): marcação vermelha e branca. Os itinerários compostelanos não são sempre GR. E nem todos os GR são caminhos para Compostela. A marcação é encontrada sob a forma de traços de pintura sobre árvores, pedras, muros ou de marcações auto-adesivas sobre postes ou ainda sob a forma pequenos painéis acompanhados de textos. As mudanças de direção são indicadas especificamente conforme modelo.
As Flechas Amarelas

São encontradas com abundância ao longo dos caminhos na Espanha, e, às vezes, na França. Aparecem sobre muros, postes, passeios...
A Sinalização Rodoviária e Urbana


Nas entradas de aglomerações urbanas encontramos painéis que dizem " Halte sur le chemin de Saint-Jacques " que é uma sinalização rodoviária à entrada de certas comunidades dos Midi-Pyrénées e de Aquitânia.
Em Pirinéus-Atlântico, uma sinalização rodoviária mais recente indica o Itinerário Cultural do Conselho da Europa, freqüentemente acompanhada de informações sobre o patrimônio cultural.
Travessias Urbanas

Certas comunidades escolheram balizar a travessia urbana através elementos fixados, placas históricas, de placas de rua. O circuito não é acompanhado sistematicamente de um folheto cultural, portanto é importante dispor de um guia para evitar as quase inevitáveis perdas, principalmente nas cidades maiores.
Advertência

Em certos territórios o peregrino terá que enfrentar um verdadeiro quebra-cabeça. O símbolo identificador europeu não foi concebido para indicar uma direção. Esta lacuna deu lugar a livres interpretações que infelizmente transformaram este símbolo posicional em elemento direcional. Assim, a sua orientação pode dar uma direção diferente de um território à outro (às vezes o ponto de convergência dos raios dá a direção, e às vezes é a ponta que a indica).
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Informações gentilmente fornecidas por:
Association de Coopération Interrégionale «Les chemins de Saint-Jacques de Compostelle» 4 rue Clémence Isaure - FR-31000 TOULOUSE Tél. : +33(0)5 62 27 00 05 http://www.chemins-compostelle.com
Escrito por Ricardo às 18h25
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Peregrinos e Randonneurs

Hoje em dia a França é uma nação que conta com uma grande tradição senderista (com até uma Federação Nacional, que já passa dos 50 anos de existência). Por isso é frequente em temporada de verão encontrarmos bastante randonneurs (senderistas), e, em geral, com muitas pessoas que nunca qualificariam a si mesmas como Peregrinos ou Peregrinas. São pessoas que fazem trechos da rota em um ou outro sentido, e que, cedo sabem que não vão chegar a Santiago, ainda que caminhem sobre o Caminho de Santiago (sucede que os sendeiros sinalizados pela FFRP, como este chamado GR-65, normalmente podem ser percorridos em ambos os sentidos).
Assim, resulta evidente que não se pode encontrar ali o mesmo ambiente humano que nos Caminhos Jacobeos espanhóis. Resumindo, nos Caminhos espanhóis, seja quem seja e tenha as motivações que tenha, este se considera e se sente um Peregrino. Na França, não. Na França existe uma certa distinção entre os Randonneurs e os Peregrinos. Creio que é importante saber disto com antecipação.
Mas também existem os viajantes que vão a Santiago. Na realidade, e sobretudo na parte final da rota, não é difícil encontrar caminhantes que, ainda que não disponham do tempo ou das "ganas" necessárias para chegar à Compostela, empreendem uma grande caminhada sobre a Via Podiensis com motivações cristãs ou, mais amplamente, espirituais. Estes sim, se consideram Peregrinos.
Traduzido com adequações de www.godesalco.com
Escrito por Ricardo às 18h25
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Uma experiência
Através do Orkut recebi umas dicas que repasso aqui por entender que podem auxiliar a quem se aventure a fazer a Via Podiensis:
"Fui também de Le puy até Santiago. Eu posso te dizer que vale a pena. Adorei.
Os primeiros sete dias voce passa por regiões muito diferentes. Agora voce tem que saber... O caminho na França é um pouco diferente;
Primeiro, o tempo: 23 de abril é cedo para sair de lá. é capaz de ter neve no planalto no início. Quando eu fui, saí 5 de maio, não faz muito diferença... mas faz um pouco. No início caminhei com tempo de 12 graus. Eu sei que outros anos ainda nevou naquelas datas, nevar é incomum mas possível.
Segundo, o camino é bem mais pesado, muita subida e descida, bem mais do que na Espanha, especialmente nas primeiros duas semanas na França.
Terceiro, o bom é que tem bem menos gente caminhando do que na Espanha, muito menos. Isso é bom porque assim é comum encontrar as mesmas pessoas nas Gites d'Etappes aonde voce dorme, e logo conhece todo mundo. Porque tem menos gente também tem uma infra menor. Menos lugares para dormir e é mais caro do que na Espanha.
Seria bom se voce comprasse uma guia do caminho. A sinalização também é um pouco menos óbvia, e serve para você saber aonde tem lugares para dormir, mercado e padeiro, aonde pode tirar dinheiro etc.
Tem livrinhos em Francês sobre o GR 65 (Grand Randonnée), é assim que o camino se chama na França, ou "Le chemin Saint Jacques". Também existem em Inglês , não sei se tem em Português.
Também ajuda falar pelo menos um Francês básico, o resto você aprende lá.
O caminho na França é muito legal, bem diferente do que na Espanha e realmente vale muito à pena, você vai caminhar muito mais na natureza sobre trilhas pequenas. Tem muita gente que dedica a sua vida em ajudar "les pelerins" o que toca o coração.
Sobre a segurança, lá é muito seguro, não se preocupe. É importante ter dinheiro vivo com você porque nas cidades pequenas que você vai passar o cartão de credito regularmente é inútil.
Que bom que você vai, tudo de bom pra voce lá. Se tiver mais perguntas me mande um recado.
Ultreia,
Koen Veerman "
Escrito por Ricardo às 18h25
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Etapas Via Podiensis

01. Le Puy-en-Velay a Saint-Privat-d’Allier: 23 Km
02. Saint-Privat-d’Allier a Saugues: 18 Km
03. Saugues a St.Alban-sur-Limagnole: 31,5 Km
04. St.Alban-sur-Limagnole a Quatre-Chemins:25,5 Km
05. Quatre-Chemins a St.Chélly-d’Aubrac: 33 Km
06. St.Chélly-d’Aubrac a Espalion: 22 Km
07. Espalion a Golinhac: 27 Km
08. Golinhac a Conques: 21 Km
09. Conques a Livinhac-le-Haut: 24 Km
10. Livinhac-le-Haut a La Cassagnole: 29 Km
11. La Cassagnole a Cajarc: 26 Km
12. Cajarc a La Plane: 25 Km
13. La Plane a Cahors: 31 Km
14. Cahors a Lascabanes: 23 Km
15. Lascabanes a Lauzerte: 23 Km
16. Lauzerte a Moissac: 25 Km
17. Moissac a Avillar: 25 Km
18. Avillar a Lectoure: 33 Km
19. Lectoure a Condom: 35 Km
20. Condom a Eauze: 33 Km
21. Eauze a Nogaro: 22 Km
22. Nogaro a Aire-sur-l’Adour: 28 Km
23. Aire-sur-l’Adour a Arzacq: 33 Km
24. Arzacq a Pomps: 19,5 Km
25. Pomps a Sauvelade: 26,5 Km
26. Sauvelade a Aroue: 31 Km
27. Aroue a Ostabat: 22,5 Km
28. Ostabat a St.Jean Pied-de-Port: 21 Km
Distância Total Le Puy a SJPP: 736,5 Km
Escrito por Ricardo às 18h25
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Conques, Vía Podiensis
Escrito por Ricardo às 18h24
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O que é a Via Podiensis?
Em primeiro lugar, a Vía Podense, Podiense ou Podiensis é uma das quatro vias principais de acesso dos peregrinos medievais franceses a Santiago de Compostela pelos Pireneus. As outras são a Via Tolosana (Arles - Montpellier - Toulouse - Somport - Jaca), a Vi Lemovicense (Vezelay - Limoges - Roncesvalles), a Vi Turonense (Paris - Tours - Poitiers - Burdeos - Roncesvalles). Salvo a Lemovicense, todas elas parecem estar hoje adequadamente sinalizadas pelas Associações Francesas de Amigos do Caminho de Santiago e pela FFRP (Federation Française de la Randonnee Pedestre, Federação Francesa de Senderismo). A Via Podense constitue a GR-65, caminho muito frequentado (Grande Randonnee) nº 65. A Via Podense, também chamada Ruta de los Borgoñones y de los Teutones, parte da cidade de Le Puy-en-Velay e entra na Espanha por Roncesvalles, depois de haver confluído com as Vias Lemovicense e Turonense no País Basco-Francês (supõe-se que no povoamento de Gibraltar, entre St. Palais y Ostabat, e assim o comemora uma estrela colocada ali pelos Amigos do Caminho de Santiago da França).
Aparte isto, a Via Podiensis foi, historicamente, a primeira via francesa de peregrinação a Compostela, desde que Godesalco (Godescalc), bispo de Le Puy, partira até a suposta tumba do apóstolo, no ano de 950. A folha mais conhecida desta primeira peregrinação quiçá seja a lenda que deu o nome à Fuente de la Reniega e ao Alto del Perdón, entre Pamplona e Puente de la Reina. Uma história que dá conta, uma vez mais, da vitória da fé em Deus frente ao desânimo e as tentações do Diabo.
Uma peculiaridade de interesse nesta rota jacobea é o frequente engano, trocando-se a figura de São Tiago Peregrino pela de São Roque, um santo francês de grande devoção nestas terras, e cuja iconografia é muito similar ao do próprio apóstolo, com os adicionais do cachorro que sempre o acompanha e do joelho descoberto. Entre seus memoráveis méritos estão a cura a numerosas pessoas atacadas pela peste ao final da Idade Média, até que o mesmo contraiu a enfermidade. Depois de refugiar-se em um bosque ganhou o afeto de um cão que lhe provia com os alimentos que furtava.
Outro fato interessante é que Le Puy também tem seu Anos Santos, o que ocorre nas raras vezes em que a Anunciação (25 de Março) coincide com a Sexta-feira Santa... como aconteceu em 2005.
Traduzido de www.godesalco.com
Escrito por Ricardo às 12h53
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E Vamos de Novo!!!
O Caminho de Santiago é algo impressionante pela sua magia, pela sua força e pelo que acaba representando em nossas Vidas.
Quem já andou por lá sabe (e quem não andou imagina) o que significa este quebrar de incontáveis correntes que nos prendem no dia-a-dia e mergulhar neste sonho que se transforma em doce realidade e que nos leva a uma vitória indescritível.
É realmente impressionante, e não é só o vencer dos 800 quilômetros a pé. Não. É muito mais o conhecer, ajustar e o aproveitar do nosso corpo que nos conduz a tantos lugares. É muito mais o conviver conosco mesmos, frente-a-frente com os nossos medos, com as nossas limitações, vendo de frente como não valem nada as nossas vaidades, orgulhos e principalmente perceber com clareza a fragilidade dos nossos paradigmas e preconceitos ante a inevitabilidade da morte. É o enfrentar-se a si mesmo e perder muitas vezes, mas sempre sair vencedor.
Saímos do Caminho de Santiago e novamente mergulhamos no trabalho, na família, nos prazeres e dissabores da Vida...
Mas vai chegando o fim do ano, e não adianta... vem a inquietação, aquela vontade do quero mais, aquele sentimento do "acho que posso".
Ainda não tenho todos os euros necessários, mas a passagem está comprada. Agora nem adiantam outras conversas... já comecei a correr para o salto.
Desta vez o desafio soa muito interessante: Via Podiensis, o Caminho entre Le Puy-en-Velay e St Jean Pied-de-Port. Caminhar apenas na França os 736 quilômetros que me levarão ao ponto de partida de todos os meus Caminhos, aos pés dos Pireneus.
As coisas para levar já estão mais ou menos preparadas. Fisicamente sinto-me bem apesar da pouca preparação. Tenho a confiança de que a preparação ao primeiro Caminho (2005, sucesso total) ensinou-me a caminhar.
Faltam dois meses para o embarque. Com um friozinho gostoso na barriga eu penso "Ultreya e Suseya!!!", palavras peregrinas de saudação que se traduzem como "para a frente e para o alto". Vamos lá!!!
Escrito por Ricardo às 10h26
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Encerrando a Vía de La Plata
Com esta publicação encerro esta etapa que me permitiu conhecer a Vía de La Plata e me conduziu novamente ao Caminho Francês, esta maravilha tão transitada por peregrinos do mundo inteiro.
O caminhar de 800 quilômetros que me parecia tão impossível em 2004, hoje tornou-se um passeio tão maravilhoso que me faz esforçar-me e vencer barreiras para ir de novo. Quem vai uma vez sabe os obstáculos que têm que ser vencidos, diferentes para cada pessoa mas que, ao serem vencidos geram algo assim como um nascimento de algo novo (e forte): uma mistura de vitória com a sensação de valorizar-se o indivíduo que somos, tão perdidos que estamos nas responsabilidades, cobranças, culpas, medos... Estes nos enredam e nos fazem conceder tempo a tudo e a todos em detrimento a nós mesmos.
E olhe que não é fácil mesmo convivermos esses 29 dias com os nossos pensamentos. O dia-a-dia nos distrai sempre, e tudo nos faz olhar para fora. O estar sozinho, este calar nos diz tanto...
O fato é que é bom, MUITO BOM MESMO. Agradeço muito aos que colaboraram até aqui, com palavras ou apenas a torcida.
Aos que se preparam para ir, fiquem tranquilos. Claro que é necessária a preparação, o observar da nossa máquina para fazer ajustes, mas não adianta a preocupação. A coisa acontece quando tem que ser.
Um grande e fraterno abraço, Ultreya e Suseya!
Escrito por Ricardo às 23h00
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Respondendo Perguntas 2/2
25. O que você levava de alimentação na mochila? E de água? R. Repeti o que fiz no Caminho Francês e no do Norte: A água era em garrafinha de água mineral (500ml). Quando o trecho era maior sem água eu levava outra garrafinha cheia (ela ficava vazia na mochila, normalmente). A comida variava pouco e sempre girava em torno de magdalenas ou croissant, latas de atum, pão, leite ou suco, queijo, tomate, chocolate, leite condensado (tubos de 200g), sucrilhos, amendoim, laranja, banana, maçã. Ia alternando conforme os preços do supermercado. Sempre comi bastante no Caminho, engordei perto de 2 Kg na VP.
26. Como foram as refeições à noite? Comia em restaurantes? Como eram os cardápios? R. Semelhantes ao Caminho Francês. As refeições mais baratas são os chamados "Menu do Peregrino" ou "Menu del Día". São servidos sucessivamente o primeiro prato (sopa ou salada ou massa ou algum prato com peixe), o segundo prato (carne bovina, suína ou peixe, acompanhadas de batatas ou massa), postre (sobremesa: yogurte, sorvete, pudim ou um creme). É acompanhada por água mineral ou vinho. Custa em torno de 8 a 10 Euros.
27. O café da manhã você comprava no dia anterior ou tomava em um bar? R. Em alguns lugares que pernoitei havia a opção de café da manhã e eram muito bons, mas em geral comprava em supermercado no dia anterior, mas mesmo assim sempre parava para tomar um café com leite no Caminho (1,20 Euros).
28. Quais foram os cuidados tomados com os pés? R. Desde o planejamento Caminho Francês sempre entendi os pés como um elemento de fragilidade a ser cuidado. Novamente fui com três palmilhas: uma de silicone para o calcanhar, uma de silicone para o pé inteiro e outra de couro ortopédica feita sob medida. Usei sempre uma meia grossa e outra fina e por dentro delas, pó antisséptico Granado. Cumpri todos os dias o ritual de calçar cada meia com o cuidado de ficarem bem esticadinhas e calçar a bota com o maior cuidado. Além disso, sempre que sentia qualquer desconforto, parava. Podia ser uma pedrinha, uma dobra na meia, qualquer coisa. Parava, sacava a bota, olhava... dava uma trabalheira, às vezes, mas valeu à pena. E mesmo com todos os cuidados, desta vez eu tive bolhas. A bota era nova, mas não foi por isso. Ela era dois números maiores que o pé, 43, e a palmilha era 41. Ficou um espaço vazio entre o fim da palmilha e a parede da bota, e eu custei a me dar conta. Depois se ajeitou e não tive mais problemas.
29. Quais medicamentos você levou? Mertiolate, band aid, etc. R. Dorflex, Nimesulide (anti-inflamatório, receitado pelo ortopedista), Novalgina , Pomada Calminex, Emplastro Sabiá, Band-Aids. Fita Micropore, agulhas Esterilizadas. Na verdade o que usei desta vez foi só a micropore. O resto foi só para carregar e para ajudar outros peregrinos.
30. Durante a caminhada encontra-se muitos peregrinos? Você ultrapassou e/ou foi ultrapassado por muita gente ou andava muito tempo sem ver nenhum peregrino? E brasileiros? R. Pouquíssimos peregrinos. Brasileiros, nenhum, apenas alguns registros nos livros dos albergues. Encontrei um espanhol, um canadense, um holandês, até um jamaicano, mas eram mesmo poucos.
31. Você pesou a sua mochila antes de começar o caminho? Aqui no Brasil ou lá? R. Sim. A mochila tinha 8,1 Kg e 1,9 Kg a pochete (e eu, 74,5 Kg). No Caminho pesei a mochila e passava de dez quilos, pois estava com os casacos em cima.
32. Você chegou a treinar com a mochila cheia? Com quantos quilos? R. Pouquíssimas vezes. Quando fiz o Caminho Francês o meu treinamento foi melhor, mas desta vez foi bastante matado, ainda mais matado que para o Caminho do Norte. Mas acho importantíssimo o treinamento com mochila para quem vai pela primeira vez, pois temos que fazer muitos ajustes, não só em alças, mas também no modo de botar o pé no chão, postura, etc. Depois de aprender conosco mesmos o Caminho nos ensina o resto.
33. Você sentiu muito o peso da mochila no Caminho ou deu para levar numa boa? R. Deu para levar numa boa. Mas principalmente nas primeiras etapas apanhei um pouco tendo em vista a pouca preparação física.
34. Você retornou de avião de Santiago de Compostela/Madrid para o Brasil? R. Não. Fiz a ida por Paris, onde fiquei quatro dias e a volta por Madrid onde fiquei três dias. Quem vai tem que tirar uns dias para dar uma aproveitada.
35. Quantos dias você ficou em Santiago de Compostela após a sua chegada? R. A chegada foi pela manhã, para a missa do meio-dia. Saí no outro dia de trem para Madrid.
36. Na viagem de ida você levou só a mochila ou levou alguma outra valise? Se levou, o que fez com ela? R. Levei a mochila e a pochete. Despachei a mochila que se perdeu na ida a Paris e só chegou na véspera da viagem a Madrid-Mérida. Na próxima vez vou despachar o mínimo minimórum e levar a mochila e o que puder comigo.
37. Qual foi a maior distância percorrida num dia? Em quanto tempo foi percorrida? R. Na Via de La Plata foram 35,2 Km, entre El Cubo de la Tierra del Vino e Salamanca. A saída foi perto das 8h e a chegada, após as 18h.
38. A sua mochila tinha capa própria ou uma capa independente? R. Não tinha capa. Ela ficava em baixo da capa de chuva e não molhou quase nada. As coisas de dentro dela ficavam sempre dentro de sacos plásticos, então não tive problemas.
39. Você levou algum tipo de calça impermeável para a chuva e/ou polainas? R. Levei, mas não usei. Acabei despachando para Santiago pelo correio. Achei melhor não usar, pois usando ou não as calças ficavam molhadas igual, pelo suor ou pela chuva. Da próxima vez devo levá-las, mas vou colocar uns ilhoses em alguns lugares criando pontos para sair o vapor do suor.
40. É necessário levar um isolante térmico para dormir? R. Desta vez não levei a esterilha. Apenas a lona preta que usei para fazer lanche e deitar no Caminho. O uso da esterilha está sempre condicionado às acomodações nos albergues. No verão acho essencial, pois a concorrência é grande e sempre acho que devemos caminhar devagar.
41. Os isoladores de som para os ouvidos são mesmo úteis (para não ouvir roncos nos albergues)? R. Acho desnecessário (no Francês nunca me fez falta!). Na Via de La Plata são pouquíssimos os peregrinos.
42. E sobre ir sozinho? R. Relativamente a criminalidades, é muito tranqüilo, isso não impediria fazer o Caminho sozinho... mas entendo como indicado ir com mais uma pessoa, pelo menos, por três motivos: 1) compartilhar as maravilhas do Caminho, 2) ter auxílio em caso de zebra (torção ou outra coisa que impeça de caminhar, visto que este Caminho é muito menos transitado), 3) para evitar perdidas (pois com duas pessoas sempre existem melhores possibilidades de enxergar as flechas).
43. Como é a temperatura dos albergues à noite? Têm calefação? Tem que levar saco de dormir para temperaturas mais frias ou pode ser um mais leve? R. Levar saco de dormir, o mais leve possível. Se apertar o frio, dorme com mais roupa dentro dele. Os albergues tem calefação, mas desligam uma certa hora. Nos hotéis, hostais e pensões, normalmente tem calefação.
44. Quantos dias são necessários "reservar" para fazer o Caminho? E Quantos dias de caminhada? R. 29 dias de Caminho mais quatro para a viagem. Se possível devemos reservar mais uns três dias como reserva técnica caso aconteça alguma zebra que nos impeça de caminhar uns dias. Estes dias de folga podem se converter em belos passeios pelo Velho Mundo.
45. Você levou máquina Digital? O que está fazendo com as fotos?Gravando em CD?Conseguiste descarregar a máquina fotográfica facilmente? R. Sim e foi muito importante. As fotos estão guardadas em CD. Não passei nenhuma para o papel. Para a VP deve-se levar boa capacidade de autonomia, pois as cidades maiores são raras.
46. Como é para conseguir acesso à Internet? R. Horrível. Só em cidades maiores. Talvez o mais complicado tenha sido o tempo disponível para acessar a Internet, pois caminhava até muito tarde e tinha que sair cedo no outro dia... Todas as publicações no Blog foram forçadas e passava vários dias sem publicar nada.
47. Qual é a Voltagem na Espanha? R. É 220V a tensão na Espanha. E tem que levar um tê ou um adaptador fino, pois as tomadas são rebaixadas e os nossos plugs tem que ser prolongados para alcançarem. Sugeriria levar um tê, pois às vezes as tomadas são bastante concorridas nos albergues.
Caso hajam mais perguntas, utilizem a caixa dos comentários para fazê-las, que com muito gosto responderei.
Buen Camino!
Escrito por Ricardo às 23h00
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Respondendo Perguntas 1
Após a publicação do diário de peregrinação, passo a responder perguntas elaboradas há bastante tempo, as quais já respondi sobre o Caminho Francês (2005) e sobre os Caminhos do Norte e Primitivo (2006), todas presentes no Blog.
Estas publicações são bastante esclarecedoras para quem vai, já que a Vía de La Plata não é muito conhecida por aqui, nem muito feita a nível mundial (dos 100.400 peregrinos totais de 2006, cerca de 80.000 fizeram o Caminho Francês e apenas3.500 fizeram a Via de La Plata).
As respostas são sobre a VP (de Mérida a Astorga). Caso tenham novas perguntas, podem utilizar o link dos Comentários, abaixo de cada publicação. Bom Proveito!
1. Como é a passagem pela fronteira entre a França e a Espanha? R. Na Via de La Plata não há fronteiras a passar. Segue-se paralelamente à divisa de Portugal.
2. Existem albergues ao final de cada etapa do Caminho? R. Sim. Tem albergues. Muitas vezes são privados ou em instituições religiosas. Não é necessário reservar lugar pelo telefone. É interessante saber que os albergues em geral são bem pequenos, e que a população quando tem oportunidade, sai a caminhar mesmo. Então é bom cuidar os feriados de páscoa, 1º de maio, etc, quando exige-se sair mais cedo ou contentar-se em ficar no chão. É bom fazer uma pesquisa na Internet. O site da Federação Espanhola (link neste Blog, na coluna da esquerda) sempre tem informações atualizadas.
3. Como são os banheiros pelo Caminho? Só tem os dos albergues? No mato? Os banheiros dos albergues tem papel higiênico? R. Normais. Os albergues sempre têm alguém que os mantém limpinhos. O Caminho é mais solitário, e às vezes demora um pouco a aparecer um bar para um “café com leche grande” onde se possam desapertarem-se as senhoras, já que os homens têm essa vantagem do gênero. O papel higiênico às vezes falta nos albergues, pois são repostos uma vez ao dia, então sempre é aconselhável manter um estoquezinho no bolso, reposto sempre que possível para uso eventual.
4. Como era tomar banho nos albergues? Existiam chuveiros masculinos e femininos? É necessário tomar banho de short? R. Tranqüilo. Pouca gente. Sempre houve privacidade e mesmo com banheiro único esperava-se. Algum banho frio é esperado, mas tudo é bom por lá. É bom lembrar que sempre devemos levar o dinheiro, máquina fotográfica e coisas de valor para o banho, em saquinhos impermeáveis (ziplog). No creemos em brujas, pero...
5. Como é que na prática funcionava a lavagem e secagem de roupa? R. A roupa de baixo é lavada na hora do banho. Depois do banho, já com as roupas de baixo limpas lava-se as outras no tanque ou mesmo na pia. Dependia do tempo disponível e das condições meteorológicas. Às vezes chegava-se tarde e se não havia calefação era melhor não lavar, pois ficariam pesadas para carregar no dia seguinte.
6. Qual é o horário de funcionamento dos bares, restaurantes e etc para almoço e jantar? R. Nas cidades maiores, ficam abertos até bem tarde, até mais que meia-noite. Em cidades menores, chegava a não ter nada. O bom é sempre levar uma massa ou sopa desidratada e um rabo-quente na mochila pois algumas vezes era o recurso para não ficar com fome...
7. Qual é a média de preço do pernoite? R. Nos albergues o preço varia de 6,50 a 10 euros. Existem hostais no Caminho e neles o preço do quarto é em torno de 30 euros, mas podem ficar duas pessoas. Hotéis custam mais do que isso.
8. Os Hostais tem horário de fechamento como os albergues ou funcionam como um hotel normal? R. Funcionam como um hotel normal. A vantagem com relação aos albergues é que se pode demorar mais para voltar, além do pernoite em quarto privativo (com banheiro privativo na maior parte das vezes).
9. Qual é a regra para se carimbar a credencial? É apenas nos lugares em que se dorme, nos lugares em que se passa ou a nosso critério? Onde é possível carimbar a credencial? R. Sim. Tem bastante lugares para carimbar a credencial e os selos são mesmo muito criativos. Pode-se carimbar nos lugares onde se pernoita ou em restaurantes, bares, igrejas...
10. Como se deve proceder ao chegar em um albergue? Deve-se procurar alguém para registro como em um hotel ou pode-se ir entrando? R. Normalmente o hospitaleiro está por ali e nos recebe. Às vezes temos que esperar às 14h para a abertura do albergue. Se não estiver o hospitaleiro e estiver aberto o albergue e encontrarmos o livro na recepção, podemos preenchê-lo... se encontrar o carimbo, pode selar a credencial. Quando não tem hospitaleiro, pega-se a chave em algum local indicado, onde selam a credencial. Na chegada, procura-se uma cama vaga e coloca-se as coisas, para garantir o lugar e depois vai-se ao banho ou às compras.
11. Qual é o dinheiro usado no Caminho? R. Euros, sempre.
12. Podemos deixar a mochila sobre a cama de um albergue e sair para comer? R. Sim. As coisas de valor, que são a máquina fotográfica, o dinheiro e o passaporte devem ser levados sempre junto, até no banho.
13. Quais os cuidados com a segurança você tomou? R. Bolsa porta-dólares com o dinheiro mais graúdo por dentro das calças e dinheiro trocado na pochete. Máquina fotográfica sempre na mão, e essas coisas todas dentro do saco de dormir, à noite. No banho, tudo à vista também, em saquinho impermeável. Com relação à mochila, é sempre bom deixar à vista, mas sempre deixei na entrada dos supermercados junto com o cajado. Sempre levei todo o dinheiro comigo, mas foi uma opção pessoal para evitar ter que passar em bancos ou caixas eletrônicos. O Caminho é bem seguro e não soube de ninguém que tivesse sido assaltado na Via de La Plata.
14. Qual guia você levou? Aonde você comprou-o? R. Tenho que confessar que fiz a mesma coisa que no ano passado: Juntei um monte de informações da Internet, com lista de albergues, perfis, etc... No ano passado, no Caminho do Norte, isso foi um desastre, pois não houve dia que não houvesse uma perdida. Na Via de La Plata foi mais tranqüilo, pois é muito bem sinalizada em geral. Se a fizesse novamente, com certeza iria comprar um guia pois traz muitas informações sobre as cidades que passamos, pontos turísticos e outras coisas mais.
15. Você levou outras informações em papel próprio? R. Sim. As mencionadas no item anterior. Também levava alguns mapas rodoviários fornecidos em oficinas de turismo, muito bons.
16. Como eram as suas caminhadas diárias? Você parava regularmente para descansar a cada hora ou coisa que o valha? R. Foi sempre um passeio. Sempre com o propósito de fazer o Caminho sem me cansar, parava freqüentemente, principalmente para olhar a paisagem. saía para caminhar perto das 8h e chegava perto das 20h, independente do tamanho da jornada. Parava bastante, deitava, tranqüilidade total. Fazer na primavera proporciona poder caminhar o dia inteiro (no verão não é possível devido ao calor) e também não me preocupar muito com as acomodações nos albergues (desta vez nem levei a esterilha).A escolha da época é fundamental no planejamento. Mas o importante é caminhar sem forçar, colocar o pé com jeito no chão, ficar de olho “na máquina”.
17. Você já tinha planejado as etapas a serem cumpridas aqui no Brasil ou conforme o andamento você foi resolvendo? R. Sim, foi bem planejado. Eram indicativas, mas foram quase todas obedecidas. Algumas dicas recebidas durante o Caminho me fizeram modificar e valeu mesmo. Tem que planejar sim, mas deixar fluir o Caminho quando estiver acontecendo. Sem stress mesmo.
18. Quais foram os tempos diários de caminhada ou a velocidade média cumprida? R. Perto de 12 horas, sempre. Raras exceções. A velocidade era em torno de 3 Km/h, até menos, mas houveram exceções...
19. Qual foi a data de início e de término do seu Caminho? R. Comecei em Mérida em 5 de Abril de 2007 e cheguei a Santiago de Compostela em 3 de Maio. Foram 29 dias para fazer em torno de 800 quilômetros. Um passeio.
20. Como era o tempo no Caminho? R. Vários dias nublados ou bons, alguns dias de chuva. As temperaturas eram amenas o dia inteiro, um pouco mais frias pela manhã, o que exigia o uso de luvas e até do balaclave (touca ninja). Peguei calor forte no final da Via de La Plata e três dias depois, neve perto da Cruz de Ferro.
21. Qual era o horário aproximado do amanhecer e do anoitecer na época da sua viagem? Ou melhor, qual era o período com luz natural para se caminhar? R. Amanhecia perto das 7h e o dia ia até perto das 22h. Uma beleza. Tempo bastante para caminhar e para descansar.
22. É possível caminhar a noite? Alguém o faz? R. No Caminho Francês tem gente que faz. Na Via de La Plata, nunca ouvi falar. Eu só caminhava de dia. Seria muito fácil de se perder.
23. E os cachorros? Te incomodaram? R. Incomodaram um pouco, mas só uma vez um cachorro grande avançou em mim e em todos os peregrinos que passaram. Neste caso o cajado foi fundamental, e jogar pedras também.
24. Você parava para almoçar (bar/restaurante) pelo caminho ou fazia apenas lanches nas paradas? R. As paradas eram freqüentes nos bares para tomar café com leite e comer as magdalenas que levava. Algumas Coca-colas também foram consumidas. A principal refeição era à noite, normalmente em restaurantes (foram raras as jantas cozinhadas em albergues). O almoço ficava por conta de “bocadilhos”, feitos com pão, tomate, mostarda e um enlatado tipo atum, polvo, calamares... que saudade!
Escrito por Ricardo às 16h00
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Dia 3 de maio de 2007, Quarta-Feira – Arca a Santiago 20,3 Km
10h – A saída de Pedrouzo (Arca) foi tranqüila às 7h, madrugada por aqui. Haviam três possibilidades: seguir pelo asfalto, voltar e pegar as setas amarelas onde se sai do Caminho ou seguir por um atalho até encontrar o Caminho de Santiago, que foi a adotada. Estou agora subindo o Monte do Gozo pelo asfalto e os passarinhos (inclusive o Cuco) estão a mil neste dia ensolarado, naturalmente se despedindo de nós. Até agora foram três pequenas paradas: uma para ficar de mangas curtas, outra para um café e outra para achar na pochete um creme para a mão pega por uma urtiga ontem. Muitos peregrinos no Caminho, naturalmente se dirigindo para a Catedral para a Missa do Peregrino, ao meio-dia. A antena da TV Galícia surge à frente, já “grande”. Caminhar.
10h20 – TVE (TV Espanhola) ao lado direito, Santiago se mostra à esquerda. À frente, a última elevação a subir para conquistar o Monte do Gozo. No visual à frente, um grande número de peregrinos subindo com suas mochilas. As minhas botas estão secando por fora. Acho que desta vez não vai chover antes de secarem (milagre).
10h30 – Surge no horizonte, em cima de uma elevação (não é que tinha mais uma!), o monumento do Monte do Gozo, com suas formas tão conhecidas. Dormir em Arca abreviou esta etapa, com certeza. Estou muito bem descansado.
10h45 – Voando baixo, descendo o Monte do Gozo, Santiago à frente com seus barulhos urbanos e movimentações características das grandes cidades. É o choque da civilização, tão experimentado na entrada das grandes cidades do Caminho, só que desta vez não vai ficar para trás com o seguir das flechas. Apesar deste engasgo sinto-me forte e com um sabor gostoso de vitória depois destes 800 quilômetros caminhados pela Via de La Plata e pelo doce Caminho Francês. Agora, descer a escada para chegar a carreteira. Paro de escrever por motivos de segurança.
10h52 – Parada para fotos na placa que diz “Santiago”. Chegamos. E muito bem. Emoção gostosa. Agora, andar até a Catedral, saboreando.
11h29 – Avisto o alto das torres da Catedral.
11h32 – Porta do Caminho, onde antigamente existia a muralha da cidade.
12h – Ao final das doze badaladas inicia-se a Missa do Peregrino. Peregrinos de todas as idades e todas as religiões misturam-se com turistas de todo o mundo. O cerimonial é imponente, marcado pelo tradicional cantar afinadíssimo e angelical de uma senhora religiosa que pela terceira vez me encanta. Pela terceira vez chego a Santiago, e pela terceira vez sou brindado com o Botafumeiro, imenso insensário pendurado por cordas grossas que, manobrado por 8 homens faz um pêndulo gigantesco perfumando e impressionando todos os presentes.
É uma emoção muito boa chegar a Santiago depois de tantos quilômetros e também encontrar pessoas conhecidas. Agora, com licença. Vou abraçar o Padrinho.
Escrito por Ricardo às 16h00
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Dia 2 de maio de 2007, Terça-Feira – Melide a Arca, 32,4 Km
Janta ótima, na mesma mesa do ano passado. Depois, um dormir muito tranqüilo, na sala grande do albergue, pois os quartos estavam cheios. Na saída a hospitaleira não estava, e aquela senhora velhinha não havia selado (carimbado) a sua credencial e esperava. Dei a idéia de selar num bar próximo e fui junto com ela. No caminho não me agüentei e perguntei quantos anos ela tinha. Respondeu com um sorriso maroto: “Muitos!”
Agora são 8h30 e já chove lá fora. A jornada prevista é até Arca a uns 30 Km. Chuva e frio, vamos lá.
14h55 – Sem chuvas já há algum tempo, mangas curtas. O marco galego aponta 31,5 Km a Santiago, indicando que restam ainda 11,5 Km a caminhar hoje. Os passarinhos estão em festa. Sopra um ventinho suave e tem um barulho de água maravilhoso em volta. É a Galícia com suas belezas despedindo-se dos peregrinos neste penúltimo trecho.
O último bocadillo do Caminho foi comido há pouco, sobre a lona, na beira de um córrego belíssimo: pão, atum, tomate, queijo, salsa (molho picante), acompanhados de yougurte e suco de laranja. Vai deixar saudades.
21h50 – Já em Arca depois de um banho frio (burrada minha, pois em um dos lados do banheiro estava funcionando o aquecedor). Estou esperando a roupa secar em cima do aquecedor, concorridíssimo. A chegada a Arca foi perto das 18h30, em baixo de uma chuvarada... Belíssimo trecho, pena a chuva no finalzinho que molhou as calças e as botas, mas tudo bem. As botas agora estão entupidas com jornal em baixo da cama (antes de dormir troco os jornais e amanhã estão secas). As calças, sujas nas pernas, estão penduradas aqui, bem pertinho de mim. As meias já secaram e a camisa que lavei está quase seca.
O albergue de Arca está praticamente cheio. Pouquíssimos brasileiros neste Caminho, pelo menos até agora. O jantar foi ótimo: uma Parrillada seguida por salmão com batatas a 8 euros. Muito bom. Vou pegar as roupas da estufa agora e pendurar no extensor no beliche. Devem secar até amanhã, mas se não secar coloco tudo num plástico e levo a Santiago. Amanhã a saída deve ser às 6h30 para chegar antes do meio-dia na Catedral (até já fizemos um reconhecimento do trecho de saída da cidade). Que Caminho delicioso este Caminho Francês. Interessante que parece novo... Amanhã, a última etapa. Que coisa!
Escrito por Ricardo às 15h59
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Dia 1º de maio de 2007, Segunda-Feira – Portomarín a Melide (!), 40 Km
8h20 – Saindo.Albergue cheio, algumas fisionomias conhecidas. A bota deve ter roçado no tornozelo esquerdo, que está doendo. Ajustei ela quase desamarrada e vamos lá.
21h – Melide (!!!). Hoje foram 40 Km de caminhada em um Caminho belíssimo, muito bem aproveitado, com chuva e tudo. Choveu o dia inteirinho. Que botas boas estas Salomon que se mantêm secas apesar das chuvas! Muito interessante também esse Caminho Francês. Estou passando por cenários que vivi em 2005 mas tudo parece novo... apesar de reconhecer muitos lugares, não deixo de me encantar com os passarinhos (num show maravilhoso sempre) e com a composição dos muros de pedras, árvores e flores. O Cuco aparece também e, devez em quando, uma claridade maior do Sol que tenta passar as nuvens acende as milhares de flores amarelas que nos rodeiam. É uma beleza este Caminho Francês onde o peregrino já tem uma maior infra-estrutura, a sinalização é melhor e onde as pessoas das cidades reconhecem a importância até econômica, abrindo o comércio cedo mesmo neste feriado de Primeiro de Maio.
Palas Del Rey hoje foi passada por cima, perto das 15h. A forçada dos 40 Km foi para fugir de um mar de gente, principalmente adolescentes, que aproveitando o feriadão (liberados a semana inteira) inundaram o Caminho de Santiago. Vêm às centenas e o seu destino natural era Palas. Umas meninas passaram caminhando com um rádio altíssimo... Chegar a Melide também concede ganhar mais um dia que será aproveitado em Madrid, com certeza. Mas o propósito de caminhar devagar foi cumprido, muitos trechos fazendo passo a passo, devagar mesmo, caminhando hoje 11h, sem cansaço, num passeio maravilhoso.
Na chegada a Melide havia uma senhora com uma capa de chuva mal colocada sobre a mochila, molhando-se. Vinha caminhando bem devagar, com alguma dificuldade. Ajudei-a a ajeitar e quando virou-se para me agradecer me surpreendeu a sua idade:com certeza tinha mais de 80 anos, curvadinha, enrugadinha. Agora há pouco chegou no albergue e um dos peregrinos que estavam por lá disse que ela havia estado no albergue anterior com eles, em Gonzar, a 32 Km daqui!
Agora estou escrevendo enquanto espero a roupa secar na máquina-secadora do albergue. Amanhã, tudo limpinho e seco. Depois, jantar no mesmo restaurante do ano passado, aqui, bem pertinho.
Escrito por Ricardo às 15h59
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Dia 30 de abril de 2007, Domingo –Samos a Portomarín, 34,4 Km
22h40 – Portomarín. A saída de Samos foi às 9h40. Uma beleza o Caminho, o dia inteiro. Muitas trilhas, verdadeiros túneis de árvores, corredores formados por muros de pedras, pueblos típicos. De Samos a Sarria, uma tranqüilidade. Após Sarria, a idéia era pernoitar em Ferreiros, a 100 Km de Santiago, fazendo uma jornada de 25 Km. A chegada a Ferreiros foi às 18h40, e o albergue estava lotado. Rapidamente checados os instrumentos, a decisão foi tomada: ir a Portomarín mesmo sabendo que a chegada ia ser perto das 21h. E foi o que aconteceu. Dos 160 leitos haviam 3 desocupados! Ok. A janta foi “ótima” (pouca e cara), depois, banho, carga na bateria da máquina (sempre uma novela, mas nunca fiquei na mão) e dormir. Faltou dizer que choveu o dia inteirinho. Às vezes chuvisco, às vezes chuva forte e até granizo apareceu depois de Sarria. De capa o dia inteiro, pernas das calças molhadas mas as botas sempre sequinhas, as danadas. Neste momento paro de escrever para ir fazer a troca dos jornais das botas (bem socados nachegada para secar a umidade que passa quando eu as tiro) e só então, dormir. Dia cheio, Caminho bonito, dormir tranqüilo.
Escrito por Ricardo às 15h59
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Dia 29 de abril de 2007, sábado – O Cebreiro a Samos, 29,5 Km
10h30 – O passeio à noite pelo Cebreiro foi muito interessante. Depois de tirar várias fotos fui a um bar para tomar um café com leite antes de dormir. Era uma casa de pedra muito bem decorada por dentro. Depois, quando ia me dirigindo ao albergue escutei uma música de gaita de foles, e não tive dúvidas: entrei para outro café com leite. Ótimo lugar, muita alegria com cantos e danças. Agitada a noite do Cebreiro. Tomei o café, tirei umas fotos e saí, indo dormir por volta das 23h. Na verdade eu custei muito para dormir. Acho que foi a pior noite de todos os Caminhos!!! Preocupações com coisas no Brasil, os roncos à volta pareciam um coro de muitas vozes e para completar de vez em quando alguém levantava para ir ao banheiro (até eu) criando sons que ecoavam em todo o container. Por incrível que pareça, acordei bem. A saída foi às 7h45, outro provável recorde. Albergue sem cozinha proporcionou esta bela parada com 2 cafés com leite e bocadillo, e umótimo rendimento, visto que já foram caminhados mais de 10 Km. Bueno, agora caminhar. Tinha muita neblina pela manhã (estávamos a 1.300 m de altitude) e agora tem Sol. A previsão é de chuva no final da tarde... Natural, pois estamos na Galícia!!!!!
19h45 – A chegada a Samos foi por volta das 17h, após percorrer caminho belíssimo e sem chuvas (de vez em quando uma garoazinha que já parava). A subida por San-Xil (outra alternativa feita em 2005) é muito bonita também, mas parece-me que esta é mais preservada. Tivemos a oportunidade de fazer uma visita orientada ao Monastério, que é imperdível, cheia de informações sobre o lugar e sobre o contexto histórico de várias épocas. O pueblo é pequeno, mas bem desenvolvidinho em função do turismo. Agora um belo banho, e depois sair para jantar. Durante o dia, nenhuma dor. Apenas algumas paradas estratégicas para ajustes nas botas antes de subir ao Alto do Poio e antes de descer a Triacastela.
Escrito por Ricardo às 15h59
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Dia 28 de abril de 2007, sexta-feira – Trabadelo ao Cebreiro, 22,4 Km
8h45 – A saída foi há pouco, após ótimo café no albergue de Trabadelo. O albergue realmente está modificado sob a nova direção, e a hospitaleira muito atenciosa. Que bom que estava incrivelmente errado o Jesus Jato, pois chegarmos em outro albergue seria dureza.
12h – Iniciada a subida do Cebreiro com chuvisco, depois de ter parado e comido tudo que havia na mochila e ainda tomar AQUELE café com leite em um bar que até lareira tinha. A subida será forte, mas muito muito bonita. Tomara que pare o chuvisco.
13h45 – Passamos já La Faba. A subida do Cebreiro é sempre impressionante com água correndo, passarinhos, flores. A chuva parou, tem Sol agora. Mangas curtas, subindo lentamente como tem que ser.
19h40 – Passo a passo, a chegada no Cebreiro foi por volta das 15h. A cidadezinha é muito bonita, com as casas feitas de pedra todas tombadas pelo Patrimônio Histórico. O movimento nesta sexta-feira é grande. O albergue está em reforma, então os peregrinos se alojam em dois containeres, cada um com 9 beliches. O almoço feito lá pelas 15h30 foi um exagero... umas 5 servidas de sopa e depois, chuletas com batatas!!! Depois, um bom banho e uma caminhada pelo pueblo para telefonar para o Brasil e comprar umas coisinhas (laranja, maçã, pão e manteiga) para hoje à noite (duvido, depois de tanto almoçar) ou amanhã de manhã. Daqui há pouco vou dar uma volta pelo Cebreiro à noite para ver como é, mas a idéia é levantar cedo para chegar tranqüilo a Samos
Escrito por Ricardo às 15h59
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Dia 27 de abril de 2007, quinta-feira –Ponferrada a Trabadelo, 34,7 Km
11h30h – Escrevo enquanto caminho. A janta no albergue de Ponferrada foi uma festa, com bastante comida (tortilla, salada, pão, natilla), com muita cantoria puxada pelos italianos. O dormir foi às 22h30, sem dor nenhuma. Ainda chovia. Ao acordar às 7h ainda havia um chuvisco, que após o belo café já havia parado deixando aparecer um céu bem azul por entre as nuvens grossas. O início da caminhada foi tranqüilo, com Ponferrada muito bem sinalizada e com muitos peregrinos. O já tradicional “café com leche grande” foi tomado em Fuentes Novas, e Camponaraya há pouco ficou para trás. À frente, nuvens de chuva preenchem o horizonte, mas estou seco, as roupas estão todas limpas...pode vir o que for. A idéia é tentar chegar em Trabadelo ao fim da etapa. Vamos ver.
16h25 – Subindo. Após Villafranca Del Bierzo temos a belíssima opção de não ir a Pereje, subindo pela montanha. Ao início da subida, aquela já conhecida placa “Tramo mucho duro. Solo para Buenos Caminantes”. Somos. E enquanto escrevo, vamos subindo por este Caminho belíssimo e perfumado. Ainda não saiu o bocadillo de almoço, e dado o adiantado da hora, talvez nem saia, pois são 11 Km dificílimos, mas para compensar, muitas flores e borboletas, muito perfume e passarinhos, muita pedra a pisar, muita lomba a subir. Com cuidado, paro de escrever. Subindo.
18h – Ainda subindo, agora com chuva. Ainda assim acho que valeu à pena resistir à oferta do Jesus Jato de levar nossas mochilas de táxi até o albergue do Itabira em Vega de Valcarce, e nós até um pedaço... e nos disse ainda que o albergue de Trabadelo era muito ruim!
22h15 – Albergue de Trabadelo. A chuva foi pouca, molhou apenas as pernas da calça que já secaram. Foi tudo tranqüilo. A subida foi grandíssima, a descida muito forte, mas valeu à pena mesmo. É imperdível esta subida para Buenos Caminantes! A surpresa ficou por conta do albergue. Em 2005 custava 8,50 Euros e agora, custa 6. Está sendo administrado pelo Ayuntamento (prefeitura), muito melhor, inclusive com uma cozinha bem montada com tudo funcionando. A massa foi uma doação dos amigos italianos e espanhóis, complementada por salada de tomate e cebola, laranja, banana, pão. Um banquete. Que dia ótimo! É impressionante este Caminho Francês, que leva a gente mesmo! Subida forte ao som de “Saudosa Maloca” e outras marchinhas carnavalescas cantadas. Hoje até o Hino Nacional foi cantado. Agora, dormir, amanhã tem a subida do Cebreiro!
Escrito por Ricardo às 16h52
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Dia 26 de abril de 2007, quinta-feira –Foncebadón a Ponferrada, 27,4 Km
Noite ótima... No meio dela acordei louco de frio e tinha certeza de que o cobertor havia caído. Não tinha. Era frio mesmo. Antes de dormir tinha olhado o termômetro e ele marcava 5°C (sei que a água começa a formar cristais aos 4°C...). Ótima noite.
7h20 – Preparando para tomar café e sair. O tempo está nublado, com névoa fina, mas acho que não vai chover. Tudo tranqüilo, roupas secas, pelo menos até agora.
16h30 – Já em Ponferrada. A chegada à Cruz de Ferro foi uma uma verdadeira tranqüilidade. A Cruz chegou rápida com sua imponente simplicidade, convidativa a reflexões sobre a Vida, a morte, sobre tudo... Em sua base depositei uma pedrinha trazida do meu sítio em Viamão, minha casa. Sentimentos profundos e bons.
Depois, descer com tranqüilidade, parando para um café no templário de Manjarín (a 222 Km de Santiago). Fora a já característica seriedade do Tomás, fomos muito bem recebidos pelo Paco, seu filho, e pela Carmen, hospitaleira que é paulista.
Após Manjarín, chuva. Depois, chuva misturada com neve. E depois, neve, bastante neve. Belíssima para se olhar do outro lado da janela, e terrível para caminhar-se em baixo. A capa molhada escorria para as pernas da calça que, a um frio de zero graus faziam as pernas doer. Em um determinado momento as pernas pararam de responder, duras de rio, e levei um susto tão grande que comecei a levantar forte os joelhos e iniciei um trotezito, de mochila e tudo, descendo rápido a lomba para esquentar um pouco. Terrível. No meio daquela neve os peregrinos que estavam por ali agruparam-se e formamos quase uma fila. A coisa só melhorou depois que parou de nevar ao atingirmos uma menor altitude e chegarmos a El Acebo... ali havia um bar bem aquecido, onde tomamos café com leite e comemos um bocadillo comprado, criando alma nova. Molhada, mas nova.
Depois a chuva escasseou, e num tira capa - bota capa chegamos a Ponferrada. O albergue é o paroquial, grande e acolhedor. Muitos peregrinos. Muita fraternidade.
18h30 – Já feito um belíssimo lanche (ovos, tomate, pão, sopa, Fanta-limão, chá). Agora, ir às compras de banho tomado. As roupas já estão todas lavadas e secas após uma bela sociedade internacional onde brasileiros, italianos, espanhóis e um alemão colocaram moedas para centrifugar e secar as roupas. Ainda chuvisca, mas sinto-me forte.
Escrito por Ricardo às 16h52
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Dia 25 de abril de 2007, quarta-feira – Astorga a Foncebadón, 26,3 Km
Chuva e chuva desde a madrugada. Tirei as palmilhas de silicone (que escorregam e incomodam quando chove), tirei as joelheiras (para não encharcar), coloquei a calça bem por cima das botas, o blusão de fleece para o frio, Anorak por cima da pochete, capa por cima de tudo. A saída é daqui há pouco e vai ser caminhando na chuva mesmo.
18h50 – Caminhamos o dia inteiro na chuva, todos os peregrinos. Agora estou sentado à mesa do albergue de Foncebadón, um albergue pr donativo que fornece a janta e o café da manhã. Ao meu lado, dez pratos à mesa. Que chuvarada o dia inteiro. Cheguei com a alma molhada e as botas fazendo plof-plof mas foi uma maravilha. O Caminho Francês é mesmo uma maravilha, e sem esforço algum chegamos a Santa Catalina de Somoza às 12h e em Rabanal Del Camino às 14h30 (segunda parada). Em Foncebadón, cidade já nem tanto abandonada, a chegada foi às 16h30. O trecho Rabanal-Foncebadón foi mesmo muito mágico e foi feito a passos de formiga, mesmo na chuva. Seria um crime passar rápido e não curti-lo com o respeito que merece. Agora está um frio de rachar lá fora (dentro do albergue está 15°C) e todos estamos tentando secar roupas em duas estufas concorridíssimas. Vou lá!!!!!!
Escrito por Ricardo às 16h52
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Dia 24 de abril de 2007, terça-feira – Astorga
Day-off em Astorga. Traduzindo, ficar em Astorga, conhecendo a cidade. Que beleza. A cidade é bonita mesmo e vale muito à pena parar para visitá-la. Devo ter caminhado mais do que uma etapa e mesmo assim foi muito bom para descansar, dar uma quebrada mesmo na continuidade da Via de La Plata e marcar bem o início do Caminho Francês. Depois do calorão dos últimos dias aliviei a carga da mochila colocando a calça de plástico, uma das luvas e o balaclave. Não devem fazer falta, espero.
Escrito por Ricardo às 16h52
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